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Monday, July 13, 2026

Erosão amplia engorda de faixa de areia em praia do litoral de SC; veja onde é: Balneário Piçarras aumentou o alargamento da orla em mais de 430 metros; tendência é de que obras desse tipo durem menos por causa do crescimento acelerado do nível do mar

 

Balneário Piçarras - SC - Brazil - Operação da draga na megaobra de alargamento da Praia Central de Balneário Piçarras. Foto: José Santos/Prefeitura de Balneário Piçarras

by  Por William Canan

Alargamento da faixa de areia em Balneário Piçarras é ampliado

Esta é a quarta vez em 27 anos que o município em Santa Catarina realiza uma obra do tipo para combater a erosão costeira. Crédito: Prefeitura de Balneário Piçarras




 

Após estudos realizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), o alargamento da faixa de areia em Balneário Piçarras, litoral norte de Santa Catarina, teve de ser ampliado. O trecho inicial, de 2 quilômetros de extensão, foi aumentado em mais 430 metros. Esta é a quarta vez em 27 anos que o município faz uma obra do tipo para combater a erosão costeira. A primeira intervenção em Piçarras foi feita em 1998, refeita 10 anos depois, em 2008, e novamente em 2012.

A obra atual, iniciada em janeiro, teve um investimento superior a R$ 40 milhões e, com o mudança do projeto original, foram gastos mais R$ 9,57 milhões após o INPH identificar a necessidade de ampliar os trabalhos no sentido norte, após o molhe da Avenida Getúlio Vargas, onde terminava o projeto original. A conclusão dos trabalhos ocorreu na primeira quinzena de abril.

 

O alargamento da faixa de areia é uma das formas de combater a erosão costeira. Além de Piçarras, Balneário Camboriú e Florianópolis são outras cidades catarinenses que já fizeram intervenções desse tipo. A tendência, no entanto, é de que essas obras durem menos, por causa do aumento acelerado do nível do mar.

“Esse problema afeta o litoral, resultando no avanço do mar e recuo da linha de costa”, diz Janete Josina de Abreu, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Desastres Naturais do Departamento de Geociências da instituição.

 Janete explica que em praias arenosas, como é o caso de Balneário Piçarras, o fenômeno acontece quando o litoral perde mais sedimentos do que recebe de volta, o que pode levar ao desaparecimento completo da faixa de areia.

 

Onde fica

Cidade, localizada no litoral de Santa Catarina, está a 118 quilômetros de Florianópolis

 

  A melhor forma de prevenir o problema é evitar a ação humana na linha costeira. Mas em casos onde a erosão já começou, a maneira mais eficaz é utilizar técnicas inspiradas na natureza, como o próprio alargamento da faixa de areia, que repõe os sedimentos levados pelo mar. “São alternativas mais adequadas e menos impactantes, mas é importante ressaltar que frequentemente as obras de proteção são paliativas e não definitivas”, afirma a professora.

 O processo de alargamento da faixa de areia utiliza grandes barcos conhecidos como dragas, que retiram areia do fundo do mar e recolocam em um aterro na orla da praia. Em Balneário Piçarras, a areia utilizada no alargamento foi retirada de uma jazida localizada a cerca de 10,5 quilômetros da Praia Central, nas proximidades da Ponta da Vigia, no município de Penha. Ao todo, foram mais de 493 mil m³ de areia depositados na orla.

O alargamento da faixa de areia é uma das formas de combater a erosão costeira. Foto: José Santos/Prefeitura de Balneário Piçarras

 

Mesmo com os benefícios da obra, existem impactos trazidos pela recuperação costeira. Balneário Piçarras é reconhecida internacionalmente com o Selo Bandeira Azul, certificado que garante a qualidade da água em praias de todo o mundo. Durante o alargamento da faixa de areia, o município removeu as bandeiras no trecho afetado.

Em nota, a prefeitura explicou que “se trata de uma ação preventiva e responsável, com a retirada das bandeiras ocorrendo conforme o andamento das obras, uma vez que esse tipo de intervenção pode provocar alterações temporárias no ambiente de praia”.

 

Ainda que sem os indicadores, a análise de qualidade da água é feita semanalmente, e não houve, desde o início das obras, grandes alterações. A administração municipal destaca que “não houve descumprimento dos critérios do programa, e a medida reforça o compromisso do município com a transparência e com a manutenção dos padrões de qualidade exigidos pelo Programa Bandeira Azul”.

Com o fim da obra, o município prepara a documentação necessária para retomar o selo na temporada de verão 2026/2027.

Tuesday, June 9, 2026

Corte inédito de energia reforça urgência em investir em baterias, diz setor. Brazil.

  • Pela primeira vez, operador do sistema elétrico determinou suspensão de usinas de menor porte
  • Para setor, risco de colapso tende a crescer sem medidas estruturais para armazenar energia

  • By Nicola Pamplona 




     

    Rio de Janeiro - Brazil

    O plano emergencial de corte de energia acionado no domingo (7) pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) foi considerado bem-sucedido pelo mercado, mas é visto como um paliativo diante da perspectiva de crescimento da geração de eletricidade no país.

    Associações do setor defendem agilidade na criação de incentivos para o armazenamento de energia, que poderia guardar o excedente produzido em horários de maior insolação para uso no início da noite, quando há mais consumo elétrico.

    Para estas organizações, são necessários incentivos econômicos para a priorização de baterias, como tarifas conforme a oferta de energia elétrica do dia.

    A capacidade instalada de micro e minigeração distribuída (MMGD), os painéis instalados sobre telhados ou em pequenas fazendas solares, já supera 44 GW (gigawatts), o equivalente a quase 20% de toda a capacidade de geração de energia no país.

    Este tipo de produção é somado com o que é gerado em usinas pelo Brasil, de diversos tamanhos. O aumento na oferta, especialmente em horários do dia com demanda baixa, pode causar sobrecarga no sistema de transmissão e levar a um colapso na distribuição de energia elétrica no país.

    Temendo crise na distribuição elétrica no domingo, dia de baixo consumo de energia, a ONS determinou a supressão de 1 GW (gigawatt), o suficiente para abastecer cerca de 500.000 residências. O operador determinou, pela primeira vez, a suspensão em geradoras de menor porte após cortar nas grandes usinas, prática recorrente. Mesmo assim, o risco de colapso se manteve.

    Entre as grandes usinas renováveis no Nordeste, região que concentra os grandes parques eólicos e sofre mais com os cortes por excesso de geração solar no país, a ONS chegou a cortar no domingo um máximo de 11 GW de geração. No sábado (6), a restrição de produção foi ainda maior, de 15 GW.

    Os cortes do domingo foram feitos entre 10h e 14h de domingo, limitados a usinas com capacidade superior a 5 MW (megawatts) de potência, o que exclui painéis solares sobre residências e pequenas fazendas que vendem energia solar em sistema de condomínio.

    "Dizem que quando você chega no fundo do poço, tem que parar de cavar. E a gente continua cavando, continua incentivando a instalação de MMGD", diz o ex-diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi. "Se a demanda não aumentar e continuamos nessa toada, a situação só tende a piorar".

    O setor de MMGD defende incentivos à instalação de baterias para armazenar o excedente de energia durante o dia e substituir térmicas no início da noite, quando a demanda cresce e as gerações solar e eólica são menores.

    A ideia seria criar tarifas conforme a oferta de energia: mais baratas quando há excesso e mais caras quando o país precisa de térmicas. Assim, pequenos geradores teriam incentivo econômico para armazenar a própria energia para os horários de pico.

    "Pode ser dado sinal de preço para que o consumidor comece a pensar na hipótese de colocar baterias à disposição do sistema", diz o vice-presidente da ABGD (Associação Brasileira de Geração Distribuída), Christino Áureo.

    A possibilidade de suspender a operação de usinas de menor porte foi autorizada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) em 2025, diante de alertas do ONS sobre riscos à segurança do sistema elétrico brasileiro.

    O excesso de energia quase provocou colapso no sistema no dia dos pais do ano passado. Em dezembro, o operador divulgou documento de planejamento em que via risco crescente de colapso já em 2026, em função da falta de flexibilidade para reduzir a geração controlável em momentos de elevada geração solar e menor demanda por energia.

    O governo já anunciou a realização de um leilão de armazenamento de energia, mas esses grandes blocos resolveriam apenas o excedente das usinas de grande porte, sem solucionar o problema da geração distribuída, mais difícil de ser controlada, dizem executivos.

    "Em outras partes do mundo se deu essa sinalização adequada de tarifas e o mercado reagiu muito rapidamente", concorda o presidente da Apine (Associação dos Produtores Independentes de Energia), Rui Altieri. Uma mudança dependeria apenas de regulamentação da Aneel.

    Procurada por WhatsApp por volta das 11h, a assessoria do ONS não havia respondido ao pedido de entrevista até a publicação deste texto.
     





    Monday, June 1, 2026

    Como as águas mais quentes influenciam desde o sumiço das ostras à chegada precoce de baleias no Brazil

    by Ana Menezes

     Pesquisadores apontam que o aumento da temperatura do mar já altera a migração de baleias, ameaça cultivos de ostras e impacta a pesca e o litoral catarinense



     


     O mar de Santa Catarina está mudando — e os impactos já começam a aparecer na economia, na biodiversidade e até em símbolos culturais do Estado, como as baleias-francas e as ostras cultivadas em Florianópolis.

     

    Nos últimos anos, pesquisadores vêm observando o aumento gradual da temperatura das águas do Atlântico Sul e mudanças importantes no comportamento dos ecossistemas marinhos. Em Santa Catarina, especialistas alertam que os efeitos das mudanças climáticas já atingem a pesca, a maricultura, o turismo, a erosão costeira e os ciclos migratórios de espécies marinhas.

    Em 2026, as primeiras baleias-francas chegaram ao litoral catarinense ainda em maio, antecipando novamente a temporada migratória. No mesmo cenário de mudanças no oceano, produtores de ostras enfrentaram perdas expressivas durante o verão devido à mortalidade dos animais provocada por altas temperaturas da água.

     

    Pesquisadores apontam que os fenômenos ainda estão em estudo, mas que o aquecimento dos oceanos já provoca alterações perceptíveis na costa catarinense.

    O que causou a morte das ostras?


     



    Oceano absorve o calor do planeta

    A oceanógrafa física e climatologista da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Regina Rodrigues, explica que os oceanos absorvem cerca de 90% do excesso de calor gerado pelas atividades humanas.

    Segundo ela, estudos com dados de satélite analisados desde 1982 mostram uma tendência contínua de aquecimento no Atlântico Sul, incluindo o litoral de Santa Catarina.

    — Estamos vendo cada vez mais períodos em que a temperatura do mar fica muito acima do normal — afirma.

     A pesquisadora explica que o aquecimento global atua junto de mudanças atmosféricas regionais. Entre elas, estão os chamados bloqueios atmosféricos, que reduzem a passagem de frentes frias, deixam o inverno mais seco e aumentam a incidência solar sobre o oceano.

     

    — Santa Catarina está entrando mais no clima do Sudeste. Esses bloqueios, que antes eram mais comuns lá, estão se expandindo para o Sul — diz.

    Fenômenos como o El Niño podem potencializar esse cenário, já que favorece a formação desses bloqueios atmosféricos e altera os padrões de chuva e temperatura no Sul do Brasil, conforme a pesquisadora.

    Procurada pela reportagem, a Defesa Civil de Santa Catarina informou que não é possível afirmar uma relação direta entre o El Niño e o aquecimento das águas na costa catarinense.

    Baleias-francas chegam mais cedo ao litoral

    Os reflexos dessas mudanças também podem ser percebidos na migração das baleias-francas. A diretora de pesquisa do ProFRANCA, Karina Groch, explica que a chegada antecipada das baleias ao litoral catarinense ainda é estudada, mas que há forte relação entre alimentação, condições oceânicas e comportamento migratório.

     

    As baleias-francas vêm para Santa Catarina principalmente para reprodução. As fêmeas chegam grávidas para dar à luz em águas mais abrigadas e permanecem na região até que os filhotes consigam retornar às áreas de alimentação próximas à Antártica.

    Segundo Karina, a principal hipótese para a chegada antecipada desses animais envolve a disponibilidade de krill — pequeno crustáceo que serve de alimento para as baleias e depende do gelo antártico para se reproduzir.

    — Quando está mais quente, há menos gelo e consequentemente menos krill. Isso influencia toda a cadeia alimentar — explica.

     Pesquisas do ProFRANCA indicam que alterações climáticas na Antártica podem gerar reflexos na população de baleias que chega ao Brasil até seis anos depois. A hipótese é que a espécie mais bem nutrida consegue completar antes o período de alimentação, iniciando a migração mais cedo.

     

    — Tudo indica que o momento da chegada delas está relacionado à disponibilidade de alimento e às condições oceânicas — afirma Karina.

    Ela ressalta, porém, que ainda são necessários anos de monitoramento para confirmar tendências e entender se a antecipação da temporada está diretamente ligada às mudanças climáticas ou a fenômenos específicos, como o El Niño.

     

    Veja fotos das primeiras baleias-francas de 2026 no RS




    Ostras sofrem com calor extremo

    Enquanto as baleias antecipam a chegada, a maricultura catarinense enfrenta outro desafio: a mortalidade em massa de ostras provocada pelas altas temperaturas da água.

     

    Santa Catarina é o maior produtor do marisco do Brasil, especialmente da espécie Magallana gigas, cultivada principalmente em Florianópolis. Mas a espécie, originária do Pacífico, é adaptada a águas mais frias.

    Segundo o professor Rafael Diego da Rosa, do Centro de Ciências Biológicas da UFSC e coordenador do Laboratório de Biotecnologia e Saúde Marinha (LaBIOMARIS), o calor extremo registrado no verão provocou perdas expressivas na produção. No início do ano, produtores de ostras de Florianópolis enfrentam uma das maiores crises já registradas na maricultura local. A mortalidade em massa causada pelo aumento da temperatura da água do mar chegou a até 90% da produção, um índice considerado sem precedentes pelo setor.

    O professor explica que o aumento da temperatura da água provoca estresse fisiológico nos animais e pode deixá-los mais suscetíveis à ação de vírus, bactérias e outros microrganismos.

    Por conta disso, pesquisadores da UFSC, em parceria com instituições do Brasil, França e Chile, criaram uma rede internacional de pesquisa para investigar os fenômenos de mortalidade das ostras e a relação deles com as mudanças climáticas.

     

    — Queremos entender se o que está matando as ostras é um fator ambiental, infeccioso ou uma combinação dos dois — diz Rafael.

    “Ostras verdes” e novas florações

    Outro fenômeno recente chamou atenção de pesquisadores e produtores: o

    aparecimento
    das chamadas “ostras verdes” em cultivos do Sul da Ilha.

    O fenômeno ocorre quando uma microalga azul-esverdeada é filtrada pelos moluscos e pigmenta as brânquias dos animais. A mesma ocorrência já é conhecida na França, onde as ostras verdes são consideradas uma iguaria gastronômica.

    Ostras esverdeadas despertaram curiosidade de produtores no Sul da Ilha (Foto: LaBIOMARIS, Divulgação)

    Segundo Rafael, o evento já havia sido registrado em Santa Catarina há mais de 10 anos, mas voltou a aparecer recentemente. Pesquisadores agora tentam identificar se a microalga encontrada em Florianópolis é a mesma presente na Europa e quais fatores ambientais favoreceram a floração.

    Embora essa microalga específica não apresente riscos à saúde humana, o pesquisador alerta que mudanças climáticas podem aumentar a frequência de florações de outras espécies tóxicas.

    — Algumas microalgas produzem toxinas que podem inviabilizar cultivos e representar riscos para o consumo humano — explica.

    Tropicalização da costa e impactos na pesca

    O aquecimento do oceano também altera o comportamento de diversas espécies marinhas. Segundo Regina Rodrigues, da UFSC, pesquisadores já observam um

    processo
    chamado de “tropicalização” da costa catarinense: espécies típicas de águas mais quentes começam a migrar para o Sul, enquanto espécies tradicionais da pesca local podem se deslocar para águas mais frias, próximas ao Rio Grande do Sul, Uruguai e Argentina.

    A mudança ameaça diretamente atividades econômicas ligadas à pesca artesanal.

    — Já houve anos em que a tainha praticamente não apareceu em Santa Catarina, mas os pescadores relataram grandes cardumes mais ao sul — afirma Regina.

    O NSC Total ouviu pescadores que relataram à reportagem que não sentiram diferença nos cardumes. Pelo contrário, a safra da tainha de 2026 já entrou para a história na Praia de Cima, na Pinheira, em Palhoça, por exemplo.

    Em apenas um mês, o número de peixes capturados praticamente igualou todo o volume registrado ao longo da temporada de 2025. Somente em maio, foram pescadas cerca de 92.986 tainhas, segundo levantamento do grupo Informações da Pesca (IDP), de Florianópolis.

    O resultado surpreendeu até os pescadores mais experientes do litoral catarinense. A expectativa inicial era de uma boa safra, mas a quantidade de cardumes que chegou às praias ficou muito acima do esperado.

     

    — A Praia de Cima surpreendeu esse ano e ainda tem muita tainha chegando. Pelas informações das

    embarcações
    que trabalham no alto-mar, ainda existem muitos cardumes no litoral do Rio Grande do Sul subindo para Santa Catarina — afirma Marcelo Alcioni, do IDP.

    Segundo Marcelo, as condições climáticas têm sido determinantes para o fenômeno. Isso porque o vento sul mais fraco estaria favorecendo a permanência dos peixes na costa catarinense por mais tempo.

    — O vento sul não está sendo muito forte, então a tainha vai viajando devagarzinho e entrando nas praias. Se tivesse vento sul forte, como elas chegaram cedo, provavelmente já teriam passado por Santa Catarina rumo ao Paraná e São Paulo — explica ele.

    A expectativa dos pescadores é de que os próximos dias possam registrar novos grandes lanços nas praias da região. Para Marcelo, o auge da safra ainda pode estar por vir.

     

    Mais ressacas e erosão costeira

    Por outro lado, os efeitos das mudanças climáticas também avançam sobre as cidades costeiras. Com temperaturas mais elevadas, aumenta a energia das tempestades, dos ventos e das ressacas, intensificando processos de erosão em praias catarinenses. Regiões como Armação, Campeche e Morro das Pedras, em Florianópolis, já convivem com episódios frequentes de avanço do mar.

    Regina Rodrigues também faz um alerta sobre a ocupação urbana desordenada no litoral catarinense.

    — Dunas, vegetação costeira e manguezais funcionam como proteção natural contra ressacas e erosão. Quando destruímos essas áreas, aumentamos nossa vulnerabilidade climática — afirma.

    Wednesday, April 29, 2026

    Here’s some good news for a change. In 2025 tropical deforestation fell by more than a third after reaching record levels the previous year.

     


    Data from the Drivers of Tropical Forest Loss (2008 to 2019) Geo-Wiki Campaign

     

     By Fabiano Maisonnave

     Experts welcomed the data with hope — and caution. Tropical forest loss is still 46% higher than ten years ago. Today’s newsletter looks at how Brazil’s 2023 anti-deforestation plan is starting to bear fruit. We also bring you the latest on how climate change impacted Europe’s temperatures, glaciers and oceans last year.

      

    Deforestation win

     

    Tropical forest loss declined significantly last year, falling 36% after reaching a record level in 2024. Still, the world lost 4.3 million hectares (10.6 million acres) of rainforest — an area roughly the size of Denmark, or more than 11 soccer fields every minute.

    New data from the University of Maryland, published through the World Resources Institute’s Global Forest Watch, shows that the loss of primary — or mature and largely undisturbed — humid tropical forests slowed down in 2025. But it was still 46% higher than a decade earlier, and last year saw a relative lull in wildfires after an exceptionally bad fire year in 2024. Blazes are increasing in the tropics due to warmer temperatures and more severe droughts


     

    Outside the tropics, the climate signal was starker. Wildfires burned 5.3 million hectares in Canada, making 2025 the country’s second-worst fire year on record. In France, fire-driven tree-cover loss was the most severe on record, seven times higher than in the previous year. 

    The analysis uses a broad definition of forest loss that includes not just deforestation for agriculture but also timber harvesting and natural disturbances to forests. 

    At the COP26 climate summit in 2021, more than 100 countries pledged to halt and reverse forest loss by 2030. The world remains far from that goal as agricultural expansion and fires continue to destroy important biodiversity hotspots and carbon sinks. Forest loss in 2025 was still about 70% too high for countries to be on track for the deadline, according to the World Resources Institute, or WRI.

    “Achieving this goal in the coming years will not be easy as forests become more vulnerable to climate change, and as humanity’s demand for food, fuel and materials from forests and the lands they stand on continues to grow,” said Elizabeth Goldman, co-director of Global Forest Watch at WRI.

    Smoke rises during a fire in the Brazilian Amazon
    Photographer: Leonardo Carrato/Bloomberg
     
     

    Brazil, which encompasses two-thirds of the Amazon, the world’s largest rainforest, recorded the largest absolute area of primary forest loss. But it cut that loss by 42% from the previous year. The report attributes the decline to stronger environmental policy and enforcement under President Luiz Inácio Lula da Silva.

    The improvement stands in stark contrast to 2024, when Brazil’s Amazon suffered its worst drought on record, fueling unprecedented forest fires.

    André Lima, Brazil’s secretary for deforestation control, said in a phone interview that the country’s forest policy rests on “two agendas that are intertwined” — curbing deforestation and controlling fires. He said the government relaunched the federal anti-deforestation plan in 2023 under Lula and is now beginning to see results. Citing Brazil’s official data, Lima said Amazon deforestation fell 50% in 2025 compared with 2022.

    Thursday, February 26, 2026

    Fortes chuvas: veja fotos do segundo dia após tragédia em Juiz de Fora (MG). Até o momento há 46 mortos e 19 desaparecidos na cidade; município está em estado de calamidade pública

    by Yasmin Silvestre



     

    As fortes chuvas que atingiram o estado de Minas Gerais na terça-feira (23) deixaram, até a última atualização, 46 mortos e 21 desaparecidos segundo informações do CBM-MG (Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais). 

     

    A grande tragédia resultou na destruição de grande parte dos municípios de Ubá, Juiz de Fora e Matias Barbosa. Em razão do forte temporal, as cidades entraram em estado de calamidade público e um plano de contingência precisou ser instaurado.

    De acordo com os Bombeiros, ambas as cidades contabilizam mais de 3500 famílias desabrigadas e desalojadas após a situação de calamidade. Ao todo, 208 pessoas foram retiradas com vidas dos escombros causados pelas enchentes.

     

    Imagens da Itatiaia cedidas à CNN Brasil mostram como ficou Juiz de Fora no segundo dia após o forte temporal. Algumas casas se encontram destruídas, com destelhamento. Escavadoras estão retirando os escombros causados pelo deslizamento de terra.

    Veja a seguir:


    Buscas e identificação dos corpos

    As buscas feitas pelos Bombeiros e a Defesa Civil seguem intensas pelas pessoas desaparecidas. Segundo o CBMMG (Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais), o trabalho não vai parar. “Vamos atuar dentro do protocolo, respeitando os limites de segurança, mas empenhando as equipes, assim como já fizemos na última madrugada”, afirma o tenente Henrique Barcellos, em entrevista à Itatiaia.

    Além disso, a Polícia Civil de Minas está realizando a identificação e a liberação dos corpos encontrados após o temporal. Até o momento há 46 mortos e 19 desaparecidos em Juiz de Fora, e 6 óbitos e 2 desaparecidos em Ubá.

     

    Assistência e monitoramento

    O governo de Minas Gerais anunciou a antecipação de R$ 8 milhões para Ubá e R$ 38 milhões para Juiz de Fora, destinados a ações de recuperação e assistência às famílias. Foi decretado luto oficial de três dias em todo o estado.

    A Defesa Civil e o Inmet mantêm o alerta de "grande perigo" para a região devido à saturação do solo, o que eleva o risco de novos deslizamentos de terra e inundações, mesmo com chuvas de menor intensidade.

     

    Em comunicado oficial nas redes sociais, a Prefeitura de Juiz de Fora informou que já foram registrados ao menos 42 mortes, 20 desaparecidos, 20 soterramentos e 3 mil desabrigados. Até o momento, são 584 milímetros de chuva acumulados no período, que tornam o mês de fevereiro o mais chuvoso da história da cidade.



     
     

    Friday, November 28, 2025

    Africa’s forests transformed from carbon sink to carbon source, study finds. Alarming shift since 2010 means planet’s three main rainforest regions now contribute to climate breakdown

     

    A logging truck deep in the jungle of Cameroon in central Africa. Researchers said urgent action was needed to save the world’s great natural climate stabilisers. Photograph: imageBroker.com/Alamy

    by  

     

    Africa’s forests have turned from a carbon sink into a carbon source, according to research that underscores the need for urgent action to save the world’s great natural climate stabilisers.

    The alarming shift, which has happened since 2010, means all of the planet’s three main rainforest regions – the South American Amazon, south-east Asia and Africa – have gone from being allies in the fight against climate breakdown to being part of the problem.

    Human activity is the primary cause of the problem. Farmers are clearing more land for food production. Infrastructure projects and mining are exacerbating the loss of vegetation and global heating – caused by the burning of gas, oil and coal – thereby degrading the resilience of ecosystems.

     

    Scientists found that between 2010 and 2017, African forests lost approximately 106bn kg of biomass per year, which is equivalent to the weight of about 106m cars. The worst affected were the tropical moist broadleaf forests in Democratic Republic of Congo, Madagascar and parts of west Africa

    The study, published on Friday in Scientific Reports, was led by researchers at the National Centre for Earth Observation at the Universities of Leicester, Sheffield and Edinburgh. Using satellite data and machine learning, they tracked more than a decade of changes in the amount of carbon stored in trees and woody vegetation.

     

    They discovered that Africa gained carbon between 2007 and 2010, but since then widespread forest loss has tipped the balance so the continent is contributing more CO2 into the atmosphere.

    The authors said the results show that urgent action is needed to stop forest loss or the world risks losing one of its most important natural carbon buffers. They say that Brazil has launched an initiative, the Tropical Forest Forever Facility (TFFF), which aims to mobilise more than $100bn (£76bn) for forest protection by paying countries to leave their forests untouched.

    So far, however, only a handful of nations have invested a total of $6.5bn in the initiative.

    Prof Heiko Balzter, a senior author and director of the Institute for Environmental Futures at the University of Leicester, said the study showed the importance of scaling up the TFFF rapidly.

     

    “Policymakers ought to respond by putting better safeguards in place to protect the world’s tropical forests,” Balzter said.

    “Four years ago, at Cop26 in Glasgow, world leaders declared their intention to end global deforestation by 2030. But progress is not being made fast enough. The new TFFF is intended to pay forested nations for keeping their trees rooted in the ground. It is a way for governments and private investors to counteract the drivers of deforestation, such as mining for minerals and metals, and agricultural land take. But more countries need to pay into it to make it work.”

    Friday, November 7, 2025

    Leaders at the Global Climate Summit Highlight the Rising Toll of Warming “All we have to do is look outside,” one delegate said. “The sea rises, the coral dies.”

     

    World leaders posed for a photo on Friday at COP30, the United Nations climate conference in Belém, Brazil.Credit...Wagner Meier/Getty Images



    Reporting from Belém, Brazil

    In Spain, intense heat waves and floods have claimed thousands of lives in recent years. In Namibia, higher temperatures have resulted in drought and widespread hunger. And in Haiti, Hurricane Melissa, which was made more violent by global warming, last week killed more than 40 people.

    World leaders shared vivid stories about the increasingly severe effects of a warming planet on Friday, the second day of the United Nations climate summit in Belém, Brazil.

    “Forests are vanishing, water levels are rising and, in turn, peoples’ livelihoods are being disrupted,” Salah Jama, the deputy prime Minister of Somalia, said. “In a nutshell, we are living on a planet in crisis.”

    Politicians, diplomats, scientists and business executives are gathering for the event, known as COP30, during another year of record heat and extreme weather that scientists say is being worsened by human-caused climate change.

     This week, the United Nations announced that the world was far off-track from keeping global warming well below 2 degrees Celsius, or 3.6 degrees Fahrenheit, compared with preindustrial levels. That was a goal that virtually every country agreed to 10 years ago as part of the Paris climate agreement.

     

    Instead, with heat-trapping emissions from the burning of fossil fuels and deforestation continuing to rise, the world is on track to warm by roughly 2.8 degrees Celsius. Scientists have said that every additional fraction of a degree of warming brings greater risks from heat waves, wildfires, drought, storms and species extinction.

    The United States is one of the few countries in the world not attending the summit. President Trump routinely dismisses the threats posed by climate change and is promoting fossil fuels like coal, oil and gas, while penalizing the renewable energy industry.

    The environment minister of the small island nation of Tuvalu, Maina Vakafua Talia, referred to Mr. Trump directly. “Tragically, the world’s largest emitter of greenhouse gases has withdrawn from the Paris agreement,” he said. “Mr. President, this is a shameful disregard for the rest of the world.”

     Over more than a dozen hours of speeches, other leaders of countries around the globe focused on the very real consequences of rising temperatures.

     

    “All we have to do is look outside our front doors to witness the impacts of climate change,” Kalani Kaneko, foreign minister of the Marshall Islands, said. “The sea rises, the coral dies and the fish stock leaves our shores for cooler waters.”

    In Kenya, millions have been affected in recent years by cycles of extreme drought and devastating floods. “As I traveled here, we’re still searching for scores of people who went missing after a landslide affected one part of our country,” Kithure Kindiki, the Kenyan vice president, said at the summit. “Such incidents have become common.”

    A street in Petit-Goâve, Haiti, last month after Hurricane Melissa. An early analysis found that climate change had made the storm worse than it otherwise would have been.Credit...Clarens Siffroy/Agence France-Presse — Getty Images
     
    A watering hole in the Kunene region of Namibia last month. A drought has contributed to widespread hunger in the country.Credit...Noah Tjijenda/Reuters
     
     Hallo Mustafa Al Askari, the Iraqi environment minister, spoke of the challenges facing a country where temperatures routinely approach 50 degrees Celsius, or 122 Fahrenheit.
     
     

    “Water scarcity has become an existential challenge in Iraq along side waves of drought, desertification and sand and dust storms,” he said. “The crisis threatens biodiversity, agriculture and undermines the livelihoods of local communities.”

    And Bernadette Arakwiye, the Rwandan environment minister, spoke of floods in 2023 that killed 130 people and inflicted $200 million in damages in 24 hours. “This was not an isolated tragedy, but another example of how much damage can be done in one single climatic event,” she said.

     At a time when international cooperation is flagging and many countries are more focused on issues like trade and energy security, officials are hoping to use the U.N. summit to direct global attention to the dangers of climate change and the benefits of switching to cleaner forms of energy.

     

    “There’s a real focus in these first few days on going back to basics, that climate change is real and it matters,” said Kaysie Brown, the associate director for climate diplomacy and geopolitics at E3G, a European research and advocacy group. “That basic message can’t be taken for granted.”

    In between the warnings were calls to overhaul the modern economy

    Prime Minister Pedro Sánchez of Spain said his country was working with other nations to place additional taxes on premium-class air travel and the use of private jets. “This is only fair,” he said. “Everyone needs to pay their due.” He added that he hoped to stop using public funds to finance new fossil fuel projects.

    Many leaders also called for rich nations to make more money available to developing countries.

    “We must reform the current global financial architecture to make capital more accessible and affordable for climate action in the developing world,” Mr. Kindiki, the Kenyan vice president, said.

    The pleas for more money come at a time when aid is tough to come by. The amount of financial assistance that rich nations give to poor ones to adapt to storms, heat waves and other perils of climate change dropped 7 percent in 2023, according to the United Nations Environment Program.

    A charitable fund for helping poor countries recover from extreme disasters, announced years ago, has not yet raised $1 billion and is not yet operational. But on Thursday, a new fund for protecting forests that promises financial returns to countries that contribute money raised more than $5 billion.

    The debate over financing also comes as the Trump administration has sought to undermine global climate policies.

    Mr. Kaneko of the Marshall Islands condemned the Trump administration’s efforts to scuttle a treaty that would have limited emissions from the shipping industry.

    “The behavior last month around the International Maritime Organization was shocking,” he said. “It cannot happen again.”

    World leaders also used their time to talk about issues beyond climate change. As often happens in international forums, geopolitical rivalries and grievances loom over every discussion, making it more difficult for countries to reach consensus.

    Shina Ansari, the Iranian vice president, assailed the attacks on her country this year by the United States and Israel.

    “This act not only violates international law and constitutes war crimes, but has also caused extensive and lasting environmental destruction,” she said.

    Surangel Whipps Jr., the president of Palau, and Mr. Talia of Tuvalu called on Taiwan to be more fully integrated into the United Nations process.

    President Xiomara Castro of Honduras took aim at Israel on Thursday, the first day of the summit. “Genocide against the Palestinian people in the Gaza Strip cannot go unpunished,” she said.

    Edgars Rinkevics, the president of Latvia, spoke out against President Vladimir V. Putin of Russia on Thursday. “Russia’s aggression against Ukraine seeks to reshape the global order through conflict,” he said. “It takes human lives and inflicts harm on nature for no good reason.”

    And Gustavo Petro, Colombia’s president, on Thursday criticized the Trump administration’s military buildup in the Caribbean. “We have the threat of invasion,” he said. “Invading Venezuela, or maybe threats to invade Colombia, invade Cuba.”

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