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Friday, May 16, 2025

Texas swelters as record-breaking heatwave sweeps across state. Record-high heat so early in the season means state has been hotter than Death Valley, the hottest place on Earth

 

A jogger runs along a trail in McAllister park as temperatures hit record highs on Tuesday, in San Antonio. Photograph: Eric Gay/AP



 

Texas swelters as record-breaking heatwave sweeps across state

Record-high heat so early in the season means state has been hotter than Death Valley, the hottest place on Earth

Texas is in the grip of an extraordinary heatwave this week, with record-breaking temperatures sweeping across the central and southern regions of the state.

While 100F days are common in Texas summers, such early-season heat is unusual. The record-high heat means that Texas has been recently hotter than Death Valley, California, which is often cited as the hottest place on Earth.

Temperatures across the central and southern region of the state ranged from 100F to 111F, levels that experts warn can pose serious health risks for anyone without access to air conditioning or enough water.

The extreme temperatures are expected to continue well into next week.

 

On Wednesday, Austin recorded a sweltering 101F by 5pm, breaking its previous same-day record of 97F set in 2022. Forecasts earlier in the day said the city could reach as high as 105F, far above the average May high of 87F.

The National Weather Service described the temperatures as “unseasonably hot weather” and advised residents to “stay hydrated and take frequent breaks in the shade or A/C!”

The heatwave began earlier in the week, with numerous cities hitting temperatures that exceeded 100F, stressing both public health systems and infrastructure.

The brutal heat is also testing Texas’s power grid. As residents sought relief by blasting air conditioners, energy demand surged. Electricity use peaked at over 78,000 megawatts by Wednesday afternoon, a new May record, according to the Electric Reliability Council of Texas (ERCOT).

The rising demand is exacerbated by the growing number of industrial facilities and cryptocurrency operations in the state, which have placed even more strain on the power grid.

The scientific community is in agreement that the global climate crisis is making heatwaves more intense, frequent and long-lasting. Last year was officially the hottest on record for Earth, and each of the last 10 years ranks among the 10 warmest since record-keeping began more than 175 years ago.

 

Despite the scientific consensus, the Trump administration has quickly rolled back efforts to address the climate crisis. Donald Trump has publicly downplayed the threat of global warming, withdrew the US from the Paris climate agreement for the second time, and removed climate change from many federal policy discussions.

The administration also loosened environmental regulations, even as climate scientists warned of increasingly dangerous and costly impacts, including more frequent extreme heat events like the one currently gripping Texas.

Sunday, May 19, 2024

Thunderstorms, Wind and Climate Change - Houston Texas - USA

 

A damaged building in Houston on Friday, after severe storms the night before.Credit...David J. Phillip/Associated Press
 
 


Scientists say storms like those that battered Houston could become more intense as the planet warms, though pinning down trends is still challenging.

 

Shattered windows and caved-in walls. Toppled power lines and trees. The severe storms that swept through Houston and the Gulf Coast on Thursday left all the destructive traces of a hurricane, yet they didn’t blow in from the tropics.

Violent clusters of thunderstorms cause extensive damage across the United States each year, not just through rain and flooding, but also through hail, tornadoes and walls of blasting wind. Here’s what to know about such storms, and how they might be changing in our warming climate.




 

As the planet warms, severe storms of all kinds are likely to deliver even bigger payloads of rain. The reason: Warmer air holds more moisture, which effectively increases a storm’s capacity to carry precipitation.

Because the air can hold more moisture, that also means there is more water vapor in the sky that can condense into liquid, forming clouds. The heat energy released into the atmosphere by this condensation is what feeds thunderstorms. In short, more condensation, stronger storms.

Warming might also increase the amount of instability in the atmosphere, which provides more energy to lift moist air rapidly skyward during storms.




 

Just because the ingredients are in place for a powerful storm doesn’t mean a powerful storm always materializes. Plenty of other factors shape when and whether storms form, and how destructive they become, which means it’s not straightforward to determine how global warming might be affecting overall storm trends.

“Theoretically we understand very well what’s happening,” said Andreas F. Prein, a climate scientist at the National Center for Atmospheric Research in Boulder, Colo. “But how this then translates into severe convective storms, and what we saw yesterday, is a little bit more questionable.”

There isn’t clear evidence, for instance, that tornadoes have become more frequent or intense in recent decades. They do, however, seem to be happening in more concentrated bursts.

Thunderstorms can also produce strong winds that fan out in straight lines rather than twisters. In a study published last year, Dr. Prein estimated that much larger areas of the central United States were now experiencing these straight-line gusts compared with the early 1980s.




 


 

Friday, December 17, 2021

Como a política está determinando qual fogão você usa.

 





Esta semana, a cidade de Nova York decidiu proibir as conexões de gás em novos prédios, juntando-se a cidades em estados azuis como Califórnia, Massachusetts e Washington, que querem evitar a queima de gás natural nas residências porque ele libera dióxido de carbono, que causa o aquecimento global.
Em vez disso, os incorporadores na cidade de Nova York terão que instalar bombas de calor elétricas e fogões elétricos de cozinha em edifícios recém-construídos.
Mas o crescente impulso para eletrificar as residências desencadeou uma reação política: pelo menos 20 estados em sua maioria vermelhos, incluindo Arizona, Geórgia, Flórida, Ohio e Texas aprovaram leis que proíbem suas cidades de restringir o uso de gás. A maioria dessas contas foi aprovada no ano passado, apoiada pela indústria de gás natural e concessionárias locais de gás, que veem a eletrificação como uma ameaça iminente aos seus resultados financeiros.
Casas e edifícios são diretamente responsáveis por cerca de 13 por cento das emissões anuais de gases do efeito estufa da América, principalmente do gás natural queimado em fornalhas, aquecedores de água, fogões, fornos e secadoras de roupas. Reduzir essa poluição é crucial, dizem os especialistas, se o país espera parar de adicionar gases de efeito estufa à atmosfera até 2050, como propôs o presidente Biden.
“As pessoas entendem o potencial da energia renovável. Reduzimos realmente as emissões no setor de energia. Estamos fazendo muito mais em veículos elétricos agora ”, disse Dylan Sullivan, cientista sênior do programa de clima e energia limpa do Conselho de Defesa de Recursos Naturais, um grupo ambientalista. O uso de gás em edifícios, disse ele, "é o novo problema e será um grande foco na próxima década".
A melhor maneira de limpar prédios, concluíram estados como a Califórnia, é convertê-los para funcionar em grande parte com eletricidade. Isso significa abandonar os fornos a gás em favor das bombas de calor elétricas, que atuam essencialmente como aparelhos de ar condicionado que podem funcionar em duas direções, fornecendo aquecimento no inverno e resfriamento no verão. À medida que os estados continuam a adicionar energia eólica e solar às suas redes elétricas, as emissões desses aparelhos devem diminuir ainda mais. Pelo menos 50 cidades da Califórnia, incluindo San Francisco, adotaram proibições na maioria das conexões de gás em novos edifícios desde 2019. Crédito ... Brandon Thibodeaux para o The New York Times
Mas a indústria do gás está contra-atacando e tem feito lobby junto aos governos estaduais em todo o país para desacelerar o abandono do gás. Ele argumenta que os aparelhos a gás são amplamente populares e ainda custam menos do que as versões elétricas para muitos consumidores. Os oponentes também alertaram que uma corrida para eletrificar as residências pode sobrecarregar as redes de energia, especialmente no inverno, quando a necessidade de aquecimento aumenta, em um momento em que estados como Califórnia e Texas já estão lutando para atender à demanda. Mais em, More,

https://www.nytimes.com/2021/12/16/climate/gas-stoves-climate-change.html


Friday, December 3, 2021

Crise do clima vira fator de peso para esvaziamento do interior dos Estados Unidos

 




No Arizona, fluxo migratório deságua em Phoenix, onde casas têm dado lugar a prédios, gerando temores de como fornecer água para toda a população


Marina Dias

Lalo de Almeida

Este projeto é patrocinado pelo Pulitzer Center



ARIZONA E NEVADA


O vazio impressiona. Entre Arizona e Nevada, as montanhas e a terra seca contrastam com o céu limpo do deserto, serpenteando quilômetros em que não é possível encontrar ninguém.


Há, claro, exceções, desde uma base da Força Aérea americana que testa drones para serem usados em guerras até uma cidadezinha de menos de 300 habitantes, onde se pode comer um ótimo hambúrguer ao lado de um ferro-velho com carros de época.


Somada às condições socioeconômicas, a crise do clima se tornou um fator de peso para o esvaziamento do interior americano. Estudo publicado em 2018 pelo Journal of the Association of Environmental and Resource Economists mostra que, devido ao caos climático, uma em cada 12 pessoas que hoje vive no sul dos EUA vai migrar para a Califórnia ou regiões montanhosas do oeste e do noroeste do país nos próximos 45 anos.


O cenário deve ampliar ainda mais a pobreza e as desigualdades, além de reforçar a urbanização desordenada que sobrecarrega grandes cidades, deixando-as muitas vezes sem condições de fornecer serviços básicos.


Nossa primeira parada no Arizona é o exemplo mais emblemático desse fenômeno. Phoenix, a capital do estado, ultrapassou a Filadélfia no ano passado e se tornou a quinta maior cidade dos EUA —e a que mais cresce no país. A população foi de 1,4 milhão de habitantes, em 2010, para 1,6 milhão em 2020, aumento de 11,2%.


Por lá, casas têm dado lugar a prédios cada vez mais altos, o que gera temores de como fornecer água para toda a população em meio a temporadas de seca cada vez mais letais. Até setembro deste ano, 113 pessoas tinham morrido por razões relacionadas às altas temperaturas no condado de Maricopa, onde fica Phoenix, mais que o dobro das 55 registradas no mesmo período de 2020.




Foi sob quase 36°C no início de outubro, quando já é outono no hemisfério norte, que encontramos Rick Caywood, em Casa Grande, área rural do Arizona. A 75 quilômetros de Phoenix, a região é líder na produção de algodão, cevada e gado no estado, mas a fazenda da família Caywood só conseguiu produzir alfafa neste ano.


De suspensório, boné e cheiro de pastilha de menta, sempre à mão para aliviar a tosse persistente, Rick nos levou às terras tocadas pelo filho, Travis, e pela ex-mulher, Nancy.


Ele explica que a alfafa é mais resistente ao calor do que o algodão, por exemplo, e tem preço estável —o que faz da leguminosa a aposta mais segura em tempos difíceis.


"A seca é um problema de décadas no Arizona, mas tem piorado. As pessoas aqui usam poços, e eles estão baixando, assim como os lençóis freáticos", diz Rick.


A principal fonte de água do oeste americano é o rio Colorado, que abastece Arizona, Nevada, Califórnia, Novo México, Utah, Wyoming e Colorado. As rigorosas secas nos últimos anos, porém, baixaram o nível do rio a cifras nunca vistas antes e levaram à escassez o lago Mead, maior reservatório de água dos EUA, na divisa entre Arizona e Nevada.


Diante da situação emergencial, o governo americano declarou em agosto deste ano a falta de água no rio Colorado —um anúncio sem precedentes— e previu redução no abastecimento de diversos estados a partir do início de 2022.


Os cortes, que podem ser ampliados, somaram-se a um plano de contingenciamento que já havia sido colocado em prática desde 2019 pelos sete estados que dividem o rio.




Em um primeiro momento, a ordem era que cidades e tribos indígenas fossem poupadas, fazendo com que o racionamento atingisse em cheio as áreas rurais.


"As cidades estão nos matando, porque agora são prioridade para o abastecimento", afirma Rick. "Minha pergunta é o que vão fazer quando as fazendas secarem. [...] Essas pessoas precisam comer e se vestir, e, para isso, a gente precisa plantar."


Nancy, a ex-mulher de Rick, caminhava agitada para mostrar o barulho crocante que fazia ao pisar sobre as folhas secas de sua propriedade. De longe, explica ela, o campo até parece verde, mas um olhar mais próximo mostra a real situação. "Entre as plantas que sobraram, só tem folhagem seca. Minha colheita vai cair muito, perdemos metade da plantação", diz a fazendeira. "No ano passado, tínhamos um pouco de água nesta época [setembro e outubro], agora não temos. Acredito que o ano que vem será ainda pior."


O deserto dos EUA é historicamente seco, mas os efeitos da crise climática têm piorado o cenário: 2020 foi o ano mais árido em Nevada e o segundo mais seco no Arizona desde 1894, e a agência federal que controla os canais de irrigação em Casa Grande avisou aos fazendeiros em abril que não haveria água suficiente para as plantações neste ano.


Há quatro décadas nos EUA, o mexicano Julio Vazquez, 71, sempre trabalhou no cultivo de algodão no Arizona. Sua vida, diz ele, era melhor anos atrás, mesmo quando ainda não tinha os documentos que o autorizam a viver e a trabalhar nos EUA. "Tinha mais plantação, ou seja, mais trabalho. Agora, a quantidade de água caiu, e as pessoas estão indo embora."


A terra em que Julio vive e trabalha pertence ao americano Jack Henness, que estacionou sua picape ao lado da reportagem para saber o que falávamos com o funcionário. Suspirou desanimado quando explicamos o tema da conversa.


"O governo poderia ajudar os fazendeiros nessas fases mais críticas, com subsídio ou algo do tipo. Mas é difícil, porque há outros problemas. Aqui estamos na seca, mas, do outro lado do país, tem enchentes, furacões e, mais para frente, os incêndios [florestais da Califórnia]."


Aos 63 anos, Jack comemora, ainda que de forma melancólica, ter vendido grande parte das terras que sua família tinha no Arizona. Lamenta, por outro lado, que fazendeiros mais jovens, na visão dele, sejam os mais prejudicados, ao abandonarem os negócios antes do que gostariam. "A crise do clima está mudando dramaticamente a vida das pessoas."


Assim, visitar a principal fonte de água do oeste americano virou uma obrigação. Em 4 de outubro, chegamos ao lago Mead, reservatório criado na década de 1930 e que, neste ano, chegou ao menor nível de sua história.




Sua represa, a famosa Hoover, foi cenário de filmes como "Super-Homem" (1978) e "Na Natureza Selvagem" (2005), entre outros, e hoje segue como atração turística.


Ver aquela estrutura gigantesca, encravada no deserto, é chocante. Uma mancha mais clara divide as montanhas em torno do lago como um lembrete de que o nível da água já foi muito mais alto —o pico é de 1983, com a marcação a cerca de 370 metros acima do nível do mar. Em agosto de 2021, o patamar era de 35% da capacidade total do reservatório.


Apesar disso, as áreas recreativas que cercam a represa ainda funcionam como balneário para pessoas que, ao contrário dos fazendeiros do Arizona, dizem pouco sentir a crise do clima, já que vivem nas cidades por ora poupadas de racionamentos.


Jessica Owens, 41, foi uma das que arriscaram um mergulho apesar das placas que alertam para a ausência de salva-vidas. Para ela, o nível do lago Mead não é mais o mesmo e o caos climático é real, mas, como nunca viveu cortes de água, a crise é pouco visível no seu dia a dia.


Jessica vive em Las Vegas, que tira do lago Mead 90% da água consumida pelos seus 650 mil habitantes e mais de 40 milhões de turistas anuais que viajam à cidade em busca de resorts e cassinos, situados entre réplicas da Torre Eiffel e da Estátua da Liberdade.


A cultura do consumo e do desperdício —motor do estilo de vida de muitos americanos— é refletida em cenas que se repetem a cada passo na Strip, a avenida mais turística da cidade.




Las Vegas é a cidade que aquece mais rapidamente nos EUA, com temperaturas no verão superiores a 45°C. E, assim como Phoenix, cresce em ritmo acelerado e tenta encontrar formas de não entrar em colapso diante da combinação de crise do clima e altas demandas.


Caso não haja ação global para diminuir as emissões de gases do efeito estufa, Las Vegas deve experimentar mais de três meses por ano com temperaturas acima de 37°C, incluindo 60 dias acima de 40°C. Autoridades dizem que medidas estão em marcha para mitigar a crise, principalmente em termos de conservação da água e consumo de energia renovável.


Um dos exemplos é que quase 100% da água utilizada na parte de dentro de casas e estabelecimentos comerciais de Las Vegas é reciclada e volta para o rio Colorado, ficando novamente disponível para o uso da cidade.


"Você pode ir para a Strip, ligar todas as torneiras, acionar todas as descargas e ainda assim não vai afetar a parte da água que tiramos do rio Colorado", afirma Corey Enus, coordenador de informação pública da agência de água de Las Vegas. "Temos uma infraestrutura nova e das mais eficientes dos EUA. Perdemos de 8% a 12% de água no processo de tratamento, oito vezes menos que a média no país." O problema, pondera Corey, é que a água reutilizada representa apenas 40% do consumo da cidade. Os outros 60% são usados do lado de fora de casas, hotéis e comércio, sem chance de reaproveitamento.


A inglória missão de tentar controlar o uso de água em áreas externas no meio do deserto é de 47 funcionários do Las Vegas Valley Water District. Um deles é Perry Keye, 61, que há 16 anos se apresenta como investigador de desperdício de água na cidade.




Perry Kaye, investigador de desperdício da agência de água do distrito de Las Vegas, percorre área jardinada de condomínio no subúrbio da cidade - Lalo de Almeida/Folhapress


Das 3h30 às 14h, ele percorre ruas para encontrar, advertir e multar quem está gastando água de maneira inapropriada. Naquele 6 de outubro, ao realizar uma de suas rondas, Perry nos mostrou a violação mais recorrente: uma casa mantinha dois regadores automáticos jorrando água sobre o jardim, em dia ou horário não permitidos pela lei.


Com o celular, ele filma a cena, enquanto fala o que vê para que não haja contestação. E deixa um aviso na porta da garagem. "Eles tomaram apenas uma advertência porque não tinham recebido algo do tipo antes. Espero que ajam rapidamente." Caso contrário, a multa varia de US$ 80 a US$ 1.280 (R$ 440 a R$ 7.040), a depender da reincidência.


Em Las Vegas, é considerado desperdício quando a água fornecida pelo distrito está sendo utilizada fora da propriedade, em dias ou horários proibidos. No verão, não se pode regar gramados e plantas das 11h às 19h, quando está muito quente e parte do líquido evapora rapidamente. Nas demais épocas do ano, a cidade é dividida em zonas, com dias e horários específicos para irrigação.


"Podemos cortar o consumo de água em 50% se todos cumprirem a regra", diz o agente, acrescentando que o pico de violações acontece na madrugada, entre 3h30 e 5h. "As pessoas não esperam que a gente apareça a qualquer momento, porque somos servidores públicos. O que muita gente faz é tentar esconder os desperdícios durante a noite. Eles acham que estão sendo sorrateiros, mas estamos lá com as nossas lanternas."


Perry conta que investiga de 20 a 30 casos por dia e aposta no caráter educacional de seu trabalho. Segundo ele, as punições têm caído —o pico diário foi de 63 violações. "Muito raramente ganho um dedo do meio. Vem de pessoas que não seguem nenhuma regra, que dizem que não posso falar o que elas devem fazer."


Las Vegas intensificou sua guerra contra a grama desde 2002, quando lançou um programa para estimular moradores a tirarem a cobertura verde de seus jardins em troca de dinheiro. A medida deu certo por um período, mas, com a queda da demanda, novas ações públicas se fizeram necessárias diante da seca cada vez mais intensa.


Em junho, uma lei foi aprovada para que toda a grama decorativa (de canteiros, entradas de condomínios e de áreas comerciais) seja retirada até o fim de 2026 —ou seja, 31% da grama da cidade, o que pode gerar uma economia anual de bilhões de litros de água.


Pode ser tarde demais. A crise do clima segue gerando ineditismos, e cortes obrigatórios no abastecimento de água já são previstos no oeste americano em um futuro próximo. No cenário mais grave, os efeitos devem ir para além das áreas rurais e pressionar grandes cidades, testando um sistema do qual dependem 40 milhões de pessoas —muitas delas céticas de que uma ameaça existencial já chegou ao jardim de casa






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