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Sunday, June 2, 2024

Recordes de secas e cheias mais que dobram de 2014 a 2023 em relação aos dez anos anteriores no Brazil

 

Porto Alegre RS 2014

 



Levantamento do Serviço Geológico do Brasil leva em conta dados de mais de 700 estações no país

 

Leonardo Fuhrmann
São Paulo

As enchentes provocadas em Porto Alegre pelo transbordamento do lago Guaíba não são um problema isolado. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) aponta, em levantamento feito para a Folha, que recordes de enchentes e secas foram bem mais comuns na última década do que em períodos anteriores.

A quantidade de recordes de cheias sofreu um aumento expressivo. De 2014 a 2023, somaram 314. Nos dez anos anteriores, eram 182.

A de secas atingiu 406 de 2014 a 2023, mais do que quatro vezes a soma da década anterior, de 92.

A base de número de estações permaneceu estável nos últimos 50 anos, segundo Artur Matos, coordenador do Sistemas de Alerta Hidrológico do SGB. Por isso, a fonte de comparação no período é praticamente a mesma.

Mas o sistema do SGB é bem mais antigo, com informações de mais de um século. Em Manaus, por exemplo, os levantamentos são feitos desde 1900.


 Leidemar Plazido, 29, (camiseta preta) retira pertences de sua casa, atingida pela inundação no bairro Sarandi, um dos mais afetados de Porto Alegre, para levar para a casa dos amigos Otavio Henrique, 25, e Katiane Dias, 31, que o acompanham e o abrigam - Bruno Santos - 22.mai.2024/Folhapress

 Na avaliação de Matos, os dados da última década são prova de que as mudanças climáticas estão provocando uma alteração nos regimes de chuvas do país, com estas últimas mais intensas e períodos mais longos de estiagem.

 

Além de um maior número de picos de enchente e de secas, os dez últimos anos ficaram marcados por quebras consecutivas desses recordes.

Os rios Taquari e Caí, no Rio Grande do Sul, por exemplo, bateram os três maiores recordes de cheia nos dois últimos anos. Em Uruguaiana (RS), o rio Uruguai teve uma de suas seis maiores cheias neste ano. No ano passado e em 2017 o rio também alcançou dois de seus maiores índices. O estado também teve uma estiagem recorde em 2021.

A situação se repete em outras regiões do Brasil.

A maior cheia do rio Amazonas foi em 2021 e 6 das suas 10 maiores cheias foram nos últimos dez anos. O rio teve sua pior seca em 2023. O rio Branco, que banha e dá nome à capital do Acre, registrou suas duas maiores cheias em 2023 e 2024. O Madeira, que em Porto Velho (RO), apresentou sua pior seca em 2023 e seis dos maiores recordes de baixa vazão nos últimos dez anos.

Fonte: Serviço Geológico do Brasil/Ministério de Minas e Energia
 


Recordes de seca e cheia mais que dobram de 2014 a 2023 em relação aos dez anos anteriores - Jornal do Tocantins
Veja mais em: https://www.jornaldotocantins.com.br/editorias/vida-urbana/recordes-de-seca-e-cheia-mais-que-dobram-de-2014-a-2023-em-rela%C3%A7%C3%A3o-aos-dez-anos-anteriores-1.2790095
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Recordes de seca e cheia mais que dobram de 2014 a 2023 em relação aos dez anos anteriores - Jornal do Tocantins
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Recordes de seca e cheia mais que dobram de 2014 a 2023 em relação aos dez anos anteriores - Jornal do Tocantins
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Recordes de seca e cheia mais que dobram de 2014 a 2023 em relação aos dez anos anteriores - Jornal do Tocantins
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Fonte: Serviço Geológico do Brasil/Ministério de Minas e Energia

 

Matos afirma que o levantamento confirma uma ideia empírica que eles tinham de uma maior incidência dos recordes nos últimos anos e mostra uma tendência de mais secas e cheias. "Os dados apontam uma repetição de situações extremas, tanto de excesso como de falta de água", analisa.

Especialista em modelagem climática do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Chou Sin Chan confirma que os fenômenos atuais fogem dos modelos climáticos tradicionais. Segundo ela, o desenvolvimento de novas equações meteorológicas têm sido um desafio para quem trabalha com previsões.

Para Chou, as mudanças climáticas estão por trás da alteração nos regimes de chuvas. O modelo atualmente aplicado pelo Inpe já leva em conta as projeções globais de concentração de monóxido de carbono e outros gases do efeito estufa em suas previsões. "A gente tem visto que as projeções que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) fez no início dos anos 2000 era bastante conservadora em relação à realidade que estamos vivendo", afirma.

O resultado é que, apesar de terem previstos fortes chuvas no Rio Grande do Sul, os levantamentos meteorológicos foram incapazes de apontar uma intensidade tão grande das chuvas e sua persistência ao longo do período.

Um dos motivos, segundo ela, foi a formação de uma massa de gases do efeito estufa que não permitiu que a frente fria seguisse para o Sudeste. Isso fez com que o período de chuvas na região se prolongasse além do previsto. "Lugares como o Rio e São Paulo, que geralmente são atingidos por frentes frias em abril e maio, tiveram calor e falta de chuvas ao longo destes dois meses", exemplifica.


 
Fonte: Serviço Geológico do Brasil 

 

Ela afirma que o obstáculo já causou outras enchentes nos últimos anos não só no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, mas também no Uruguai e no norte da Argentina. "Esta situação tem provocado secas e recordes de calor no Sudeste, Centro-Oeste e até na Amazônia."

Outro desafio, de acordo com ela, tem sido prever chuvas muito intensas em uma região específica. É o caso das grandes chuvas que atingiram cidades da região serrana do Rio de Janeiro, como Teresópolis e Petrópolis, em 2011, 2022 e 2023. "As duas cidades ficam a menos de 100 quilômetros da capital fluminense, que não foi atingida pelas mesmas chuvas", afirma.

Pesquisador em Geociências do SGB, Marcus Suassuna aponta também para uma mudança no padrão das chuvas. "Muitas vezes, temos um recorde de chuva no meio de uma longa estiagem", diz. Segundo ele, a água cai em um mesmo lugar ou em um curto espaço de tempo, quando geralmente seria mais espalhada ao longo de uma estação.

 

Ele afirma que o problema é maior em regiões com pouca vegetação ou muito urbanizadas, onde o terreno é mais impermeabilizado. "Isto também acelera a velocidade com que a água das chuvas chegue aos rios, que não tem a capacidade de vazão daquele volume no mesmo ritmo."

Suassuna diz que a situação reforça a necessidade de aumentar a velocidade de informação e os pontos de monitoramento nas bacias hidrográficas, com atenção também para rios secundários que podem afetar bacias maiores ou grandes concentrações populacionais. Outros especialistas entrevistados pela Folha nas últimas semanas já haviam mencionado a necessidade de aprimoramento do sistema de alerta para evitar novas tragédias.

Vinculado ao Ministério das Minas e Energia, o SGB faz medições do volume das águas dos rios desde o início do século passado. Inicialmente, seus dados serviam fundamentalmente para a mineração, mas o monitoramento nas últimas décadas também passou a ser usado para a prevenção de eventos climáticos extremos.

Hoje, 75% do trabalho de monitoramento de bacias hidrográficas no país é feito pelo SGB. O Brasil conta com dados também do Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), a Agência Nacional das Águas (ANA) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Criado em 2011, o Cemaden é o único voltado diretamente para prevenção de eventos climáticos extremos, os demais produzem dados para a agropecuária e utilização de águas para o abastecimento de cidades e a geração de energia elétrica. Como foram criados para outras finalidades, esses monitoramentos não eram desenvolvidos para monitorar rios que provocam impactos em grandes concentrações populacionais

 

Friday, May 24, 2024

Mudança climática aumenta mortes na Europa, diz estudo...

 

Só no verão europeu de 2022, estima-se que 60 mil pessoas tenham morrido devido às altas temperaturas

Relatório alerta que as temperaturas no continente sobem duas vezes mais rápido do que a média global, contribuindo para elevar o número de óbitos devido a ondas de calor.

 

"A mudança climática não é um cenário futuro distante e teórico. Ela está aqui. E está matando", diz o recém-publicado relatório Lancet Countdown Europe Report. Este é o segundo levantamento da série "Lancet Countdown" que trata das consequências das mudanças climáticas para a saúde, especificamente para as pessoas na Europa. O texto foi escrito por cerca de 70 pesquisadores de vários países e disciplinas. A Universidade de Heidelberg, na Alemanha, desempenhou um papel fundamental no projeto.

O estudo alerta que as temperaturas na Europa estão subindo duas vezes mais rápido do que a média global. Nos últimos dez anos, houve 45% mais dias quentes do que na década anterior. E isso contribui para o aumento de mortes devido a ondas de calor no continente. Em média, elas subiram em 17,2 mortes por 100 mil habitantes entre os anos de 2013 e 2022, em comparação ao período entre os anos de 2003 a 2012. Só no verão europeu de 2022, estima-se que 60 mil pessoas tenham morrido devido às altas temperaturas.

Grandes cidades

A Europa Ocidental é a região de maior risco, segundo o relatório. Isso se deve ao fato de que um número particularmente grande de pessoas vulneráveis vive nessa área: idosos, doentes, além de residentes de grandes cidades, as quais se aquecem rapidamente nos meses mais quentes.

"E há diferenças geográficas. A Alemanha, por exemplo, tem uma taxa de mortalidade excessiva bastante alta em decorrência de ondas de calor, especialmente entre as mulheres", acrescenta o epidemiologista, matemático e estatístico Joacim Rocklöv, um dos autores do levantamento.

O estudo também identifica injustiças sociais: por exemplo, as minorias étnicas ou as pessoas de baixa renda geralmente sofrem mais com os efeitos das mudanças climáticas.

Patógenos se disseminam mais rápido

O relatório também identifica as doenças infecciosas emergentes como um grande risco à saúde. Isso ocorre porque alguns patógenos e seus vetores podem se espalhar mais para o norte europeu devido ao clima mais quente, especialmente no inverno.

O mosquito-tigre-asiático, por exemplo, já está se espalhando ao longo do rio Reno. Mais e mais distritos na Alemanha estão sendo declarados áreas de risco de encefalite transmitida por carrapato.

E o vírus do Nilo Ocidental, causador da febre do Nilo Ocidental, também está se tornando um perigo. No sul da Europa sobretudo, também aumenta o risco de doenças transmitidas por mosquitos, incluindo chicungunha e dengue.

De acordo com o relatório, os sistemas de saúde de quase todos os países europeus não estão bem equipados para lidar com os efeitos do aquecimento global. Muitos países carecem de planos de proteção contra o calor ou para emergências, assim como sistemas de alerta precoce para desastres climáticos. Também as adaptações no desenvolvimento urbano, por exemplo, são inadequadas em todo o continente, de acordo com o estudo.


 

Wednesday, May 22, 2024

CVM prepara norma de divulgações financeiras relacionadas a eventos climáticos extremos - Brasil são ações, debêntures e quotas de fundos de investimento.

Fachada da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) Divulgação 


 

Aline Scherercolaboração para a CNN

 

 Edital cita, por exemplo, necessidade das empresas descreverem imóveis localizados em áreas sujeitas a inundações 

 A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que regula parte do mercado financeiro, abriu uma consulta pública para receber pronunciamentos técnicos sobre a divulgação de informações sobre riscos e oportunidades relacionados ao clima.

 

A proposta é que as empresas prestem informações úteis para a tomada de decisões por parte de quem utiliza os relatórios financeiros e decide sobre o fornecimento de recursos para as organizações.

O edital, elaborado pela Superintendência de Normas Contábeis e de Auditoria (SNC) da autarquia, explica que as informações climáticas se referem às políticas e práticas adotadas pelas empresas em três tópicos principais: riscos físicos, riscos de transição e oportunidades disponíveis.

As empresas terão de descrever em seus relatórios financeiros quais os riscos físicos que seus negócios podem sofrer com o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, inclusive as alterações nos índices de mortes e enfermidades relacionadas.

Os dados também deverão incluir a expectativa razoável de afetar os fluxos de caixa, seu acesso a financiamento ou custo de capital no curto, médio ou longo prazo.

 

 Também deverão descrever quais os riscos relacionados à transição ordenada para uma economia de baixo carbono ou consistente com compromissos assumidos no último acordo internacional sobre mudanças climáticas. E mencionar as oportunidades disponíveis para a organização.

 

Além disso, a minuta prevê exigências de divulgações específicas sobre os os processos, controles e procedimentos de governança que a entidade usa para monitorar, gerenciar e supervisionar os riscos climáticos e de transição.

E ainda incluir como esses processos são integrados, a estratégia da empresa para geri-los, e informar o desempenho da companhia em suas metas definidas sobre o clima.

O edital da CVM fala, por exemplo, da necessidade das empresas descreverem seus imóveis localizados em áreas sujeitas a inundações. E também orienta que as empresas, sobretudo seguradoras, descrevam suas políticas para incentivar comportamentos responsáveis em termos de saúde, segurança e meio ambiente.

Após o encerramento do prazo para envio de manifestações, que vai até o dia 11 de julho, a área técnica analisará as sugestões recebidas e, posteriormente, levará a proposta para aprovação e edição da norma em questão.

A proposta é que a Resolução entre em vigor em 1º de janeiro de 2026, embora seja permitida e recomendada a adoção antecipada.

A obrigação de prestar informações relacionadas ao clima está alinhada aos padrões internacionais. Mais especificamente à IFRS S2, norma emitida pelo International Sustainability Standards Board (ISSB), órgão criado pela IFRS Foundation – organização que define as regras para o padrão contábil mais adotado no mundo pelas empresas de capital aberto.

A exigência do detalhamento de informações de acordo com um padrão pré-estabelecido é um esforço dos órgãos reguladores para evitar greenwashing, ou maquiagem verde. O termo é usado quando empresas acabam enganando os consumidores com selos falsos e uma imagem de responsabilidade socioambiental que não condiz com a prática da organização.

“A mudança climática é a discussão central. E, ultimamente, depois de dois anos de aplicação da regra na Europa, e de bastantes relatórios, a comissão entendeu que ainda estão sendo utilizados termos muito vagos”, explica o advogado Bruno Galvão, do escritório Blomstein, com sede em Berlim, na Alemanha.

“Para dizer que um investimento é sustentável, tem que categorizar a atividade que se está colocando dinheiro dentro dos parâmetros da taxonomia, que define o que é uma atividade sustentável ou não, e mostrar quais potenciais impactos negativos que a atividade tem, e o clima tem um papel fundamental nisso”, conclui.

 

Monday, May 20, 2024

Resiliência a eventos climáticos extremos demanda plantio de 10 bi de mudas no Brasil, diz estudo...

 

Cidade de Sinimbu, a 240 km de Porto Alegre, foi destruída pela enchente Divulgação/Prefeitura de Sinimbu 


 

Aline Scherercolaboração para a CNN

São Paulo

 

 Vegetação nativa e de alimentos pode contribuir para prevenir eventos como o do Rio Grande do Sul 

 A reconstrução do Rio Grande do Sul deveria considerar estruturas mais resilientes a episódios de clima extremo, afirmam especialistas em mudanças climáticas, economia e urbanismo.


 

A começar pelo plantio de vegetação nativa, combinadas ao plantio de alimentos, para recuperar com urgência 1,165 milhão de hectares em áreas de preservação permanente e reserva legal no estado, já previstas em lei.

Para fazer o plantio e manejo o potencial é de geração de 218 mil empregos só no Rio Grande do Sul. Em todo o Brasil, seriam 5 milhões de novos empregos ao longo de toda a cadeia de valor para o plantio de 10 bilhões de mudas em 12 milhões de hectares — o equivalente à extensão da Inglaterra.

As estimativas são do estudo “Os Bons Frutos da Recuperação Florestal”, do Instituto Escolhas, empresa especializada na interface de temas econômicos e ambientais para propor soluções para os problemas de desenvolvimento do país.

“Nós não temos essa infraestrutura do ponto de vista produtivo estabelecida no Brasil. É preciso fazer um investimento da ordem de R$ 220 bilhões, e os retornos são bastante significativos”, diz Sérgio Leitão, diretor da entidade.


 

“No Rio Grande do Sul, dos 1,165 milhão de hectares que deveriam ser plantados, 500 mil hectares estão nas chamadas matas ciliares, ou seja, nas margens dos rios, nas beiras dos cursos d ‘água, que é exatamente onde se torna mais urgente essa recuperação”, explica.

Outros 650 mil hectares estão em áreas privadas, segundo o estudo.

Para o especialista, a reconstrução econômica do estado, que tem sido objeto da negociação entre o governo federal e governo estadual, precisa também abranger a recuperação ambiental para se prevenir e se proteger contra a repetição de eventos climáticos extremos.

“A infraestrutura natural retarda a velocidade da água no caso de uma enchente e permite que essa água se infiltre, e, portanto, deixe de virar uma fonte de alagamento”, explica o diretor do Instituto Escolhas.

“A gente defende que essa recuperação das áreas se dê de forma produtiva, usando modelos de consorciamento de vegetação com a produção de alimentos porque isso traz retorno econômico”.

Para isso, será necessário produzir sementes e mudas, formar e contratar profissionais especialistas no plantio e manejo, além de investimento em pesquisas.

“Recuperar florestas é uma oportunidade econômica imensa, com geração de ganhos sociais e ambientais”, conclui.

A oportunidade não vale somente para o Rio Grande do Sul, mas para construir resiliência às mudanças climáticas e desenvolvimento socioeconômico em todo o país.

Só no estado do Pará, por exemplo, a recuperação econômica de áreas desmatadas geraria 1,5 milhão de empregos e permitiria a redução da pobreza em 50%, de acordo com o estudo.

A atividade de recuperar a vegetação nativa é intensiva em mão de obra, especialmente nos três primeiros anos. Combinada à produção de alimentos e à produção madeireira, por exemplo, em sistemas agroflorestais, significa pelo menos 20 anos de manutenção de empregos.

“Todo o esforço de investimento, mas também o seu retorno financeiro, faria o Brasil cumprir a meta que o país assumiu em 2015, quando houve o acordo do clima em Paris, durante a COP21, com obrigações que se transformaram, por sua vez, nas NDCs, que são as Contribuições Nacionalmente Determinadas”, lembra o especialista.

Desde então, pouco foi feito de restauração ecológica aliada ao uso econômico. “De 2015 para cá a gente não fez praticamente nada, pouco menos de 100 mil hectares”, diz.

Exemplos Internacionais

Nos Estados Unidos, a Lei da Redução da Inflação, (IRA, na sigla em inglês), de 2022, propõe o Civilian Climate Corps, a contratação de pessoas para cuidar da recuperação da infraestrutura natural — em outras palavras, o plantio de vegetação nativa combinada a alimentos.

Além de tornar o país mais resiliente à crise climática, o “Corpo Civil do Clima” gera empregos, especialmente na região conhecida como Cinturão da Ferrugem, carente de oportunidades de trabalho.

A iniciativa é semelhante ao que o presidente Franklin Roosevelt fez na década de 1930, durante a Grande Depressão Americana.

Nesta linha, outra iniciativa atual ocorre no Quênia, cujo governo decretou um feriado nacional para incentivar o plantio de 100 milhões de mudas de árvores.

Cerca de 150 milhões de mudas foram disponibilizadas gratuitamente no dia 13 de novembro do ano passado em centros de agências florestais para serem plantadas em áreas públicas definidas previamente.

O objetivo é chegar a 15 bilhões de árvores plantadas em 10 anos, para tornar o país mais resiliente à crise climática.

O governo também encorajou que cada um dos 50 milhões de quenianos comprasse pelo menos duas mudas de árvores para plantar nos jardins de suas casas.

A ideia foi inspirada na primeira mulher africana a receber um Prêmio Nobel da Paz, em 2004, Wangari Muta Maathai. A professora e ativista, falecida em 2011, fundou o Movimento do Cinturão Verde, uma organização não governamental ambiental dedicada ao plantio de árvores, consorciada ao plantio de alimentos, como forma de proteger o solo contra a erosão e recuperar os aquíferos — espaços de produção de água.

“O Brasil precisa urgentemente entender que o plantio de árvores não significa apenas uma questão ecológica. É uma questão econômica, social, e de preparar o país para esses dias de mudança de clima que infelizmente chegaram da forma mais trágica possível”, alerta o diretor do Instituto Escolhas.

Como mostra a experiência dos milhares de salvamentos de pessoas e animais realizados por civis no Rio Grande do Sul, e as iniciativas de plantio de árvores no Quênia e nos Estados Unidos, também a recuperação ecológica poderia se dar com o apoio das pessoas.

“Pequenos agricultores vão se candidatar ao plantio, recuperar suas propriedades, produzir alimentos. E vamos ter a necessidade de um grande apoio do governo para que isso possa acontecer”.

Thursday, September 7, 2023

Ciclone do RS: nove moradores de Muçum estão desaparecidos, diz governo

 

Destroços de casas atingidas por enchente após passagem de ciclone extratropical, em Muçum (RS) — Foto: REUTERS/Diego Vara

 

Sobe para 46 o número de desaparecidos

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2023/09/08/temporal-no-rs-sobe-para-o-numero-de-desaparecidos.ghtml 

Nove moradores de Muçum, na Região Central do estado, estão desaparecidos após a passagem do ciclone extratropical e as intensas chuvas que atingiram o RS no início da semana. O levantamento foi publicado pela Defesa Civil estadual, na noite de quarta-feira (6).

O número de mortes registradas na cidade foi atualizado, após revisão. Dos 15 óbitos registrados inicialmente, o total foi atualizado para 14. A cidade é a que mais registra mortes após a passagem do ciclone.

Nesta quarta-feira (6), os corpos das vítimas de Muçum e das de Roca Sales foram levados ao Departamento Médico Legal de Porto Alegre, para a identificação.

 

Os nomes dos desaparecidos não foram divulgados pela Defesa Civil. Além da estatística estadual, prefeituras também têm contabilizado relatos de pessoas que não haviam sido encontradas por parentes. Em Estrela, no Vale do Taquari, a prefeitura divulgou nesta quarta uma lista com mais de 30 nomes de pessoas consideradas desaparecidas.

No total, são 37 mortes. Veja abaixo por cidades:

  • Cruzeiro do Sul - 3
  • Encantado - 1
  • Estrela - 2
  • Ibiraiaras - 2
  • Lajeado - 3
  • Mato Castelo - 1
  • Muçum - 14
  • Passo Fundo - 1
  • Roca Sales - 9
  • Santa Tereza - 1


 

Com pouco mais de 4,6 mil habitantes, Muçum sofreu de forma severa com os impactos da chuva. Vias foram tomadas pela água que inundou o município. De acordo com as autoridades, mais de 85% da cidade foi atingida pela enchente, incluindo residências, escolas, estabelecimentos comerciais, o hospital e o cemitério. 

 As mortes registradas no Rio Grande do Sul já superam a maior tragédia natural das últimas quatro décadas no estado, quando 16 pessoas morreram em junho. 

 

Thursday, August 17, 2023

Food Security - Food Safety - Por que redes de fast food estão tirando o tomate de seus menus na Índia

 

 

Custo da fruta no país aumentou mais de 400% nos últimos meses devido a quebras de safra após ondas de calor escaldante e fortes chuvas 

 No mês passado, o McDonald's anunciou que muitos de seus restaurantes em todo o país removeriam temporariamente os tomates de seus hambúrgueres Getty Images 

 Tara Subramaniamda CNN

 

Os tomates estão fora do cardápio na Índia enquanto o Burger King se torna a mais recente rede de fast food a ser impactada pelo aumento dos preços do alimento básico da culinária.

No mês passado, o McDonald’s anunciou que muitos de seus restaurantes em todo o país removeriam temporariamente os tomates de seus hambúrgueres, citando problemas de qualidade e escassez de suprimentos.

 

Agora, as lojas indianas do Burger King dizem que são “incapazes de adicionar tomates”.

Em uma seção de perguntas frequentes em seu site, o Burger King garantiu aos clientes que os tomates voltarão em breve, dizendo que sua ausência atual foi “devido a condições imprevisíveis na qualidade e no fornecimento das safras de tomate”.

Não ficou claro se a remoção de tomates se aplicaria a todas ou apenas algumas de suas lojas.

A decisão do Burger King ocorre depois que o banco central da Índia elevou sua previsão de inflação para o atual ano financeiro para 5,4%, ante 5,1%, citando o aumento dos preços de certos alimentos no país mais populoso do mundo.

“No futuro, o aumento nos preços dos vegetais, liderados pelos tomates, exerceria pressões de alta consideráveis ​​na trajetória da inflação de curto prazo”, escreveu em um comunicado.

Na semana passada, a Subway anunciou que suas lojas indianas cobrariam 30 rúpias (US$ 0,40) a mais por uma fatia de queijo na maioria dos sanduíches, informou a Reuters.

Quanto aos tomates, a culinária indiana é impensável sem a onipresente fruta. Mas o amado ingrediente está cada vez mais fora do alcance de muitos.

O custo do tomate na Índia aumentou mais de 400% nos últimos meses devido a quebras de safra após ondas de calor escaldante e fortes chuvas, de acordo com agricultores e especialistas em agricultura, embora os preços tenham moderado um pouco em agosto.

Um quilo de tomate vendido na capital da Índia, Nova Délhi, esta semana custou 107 rúpias (US$ 1,29), um salto surpreendente em relação às 27 rúpias (US$ 0,33) registradas em janeiro, segundo dados do Departamento de Assuntos do Consumidor.

Os altos preços se devem em parte ao clima extremo associado à mudança climática, disse Jocelyn Boiteau, pós-doutoranda do Instituto Tata-Cornell de Agricultura e Nutrição.

De acordo com Boiteau, apenas algumas regiões no sul da Índia têm condições adequadas para o cultivo de tomates durante os meses de verão, portanto, quaisquer “problemas relacionados ao clima” nessas áreas podem ter um impacto em nível nacional no fornecimento de tomates frescos.

Neste verão, o país foi abalado por quantidades sem precedentes de chuva e ondas de calor intensas, destacando como a nação mais populosa do mundo está entre as mais vulneráveis ​​aos efeitos da crise climática.

 

Tuesday, July 11, 2023

Mais de 61 mil pessoas morreram de calor na Europa no verão de 2022, diz estudo...

  Levantamento publicado na Nature Medicine prevê ainda 94 mil mortes caso países europeus não tomem medidas para conter mudanças climáticas. Estação registrou recordes históricos de temperatura e queimadas no continente no ano passado. 

 Por France Presse

Mais de 61 mil pessoas morreram de calor na Europa durante o verão de 2022 no Hemisfério Norte, de acordo com um estudo publicado nesta segunda-feira (10) pela revista científica Nature Medicine.

Sem medidas adequadas, o continente poderá enfrentar mais de 94 mil mortes por ondas de calor em 2040, segundo o estudo, elaborado por cientistas de um instituto de saúde francês e do Instituto de Saúde Global de Barcelona (ISGlobal). 

O verão de 2022 foi o mais quente registrado até hoje na Europa, com sucessivas ondas de calor que causaram recordes de temperatura, seca e incêndios florestais.

Os cientistas analisaram dados de temperatura e mortalidade para o período 2015-2022 em 823 regiões de 35 países europeus, com uma população total de mais de 543 milhões de pessoas. 

Com base nesses dados, construíram modelos epidemiológicos que permitem prever a mortalidade atribuível às temperaturas para cada região e semana do período de verão do ano passado, que no Hemisfério Norte é entre fim de junho e fim de setembro.

No total, a análise revela que, entre 30 de maio e 4 de setembro de 2022, ocorreram 61.672 mortes atribuíveis ao calor na Europa.

Só uma onda de calor particularmente intensa, entre 18 e 24 de julho, causou 11.637 mortes.

"É um número de mortes muito alto", disse à AFP Hicham Achebak, pesquisador do Inserm e participante do estudo.

"Já sabíamos dos efeitos do calor na mortalidade desde o precedente de 2003, mas com esta análise fica claro que ainda há muito trabalho a ser feito para proteger a população", acrescentou.

O índice de mortalidade no verão de 2003, quando a Europa sofreu uma das piores ondas de calor de sua história, ultrapassou a cifra de 70.000 mortes.



Friday, June 2, 2023

BB vai aceitar crédito de carbono como pagamento em leilão de imóveis rurais

 


 


Modalidade é inédita no Brasil e foi adotada para apoiar desenvolvimento sustentável do país

Fase de lances está aberta e sessão de disputa será dia 7 de junho LuizOR/Wikimedia Commons 

 

O Banco do Brasil está aceitando crédito de carbono como forma de pagamento por imóveis rurais. A modalidade de pagamento é inédita no Brasil, e, segundo o banco, foi adotada com o objetivo de apoiar o desenvolvimento sustentável do país. O uso desses créditos pode ser tanto para pagamento integral como parcial do imóvel.

“A fase para lances já está aberta, e a sessão de disputa será online, às 14h do dia 7 de junho, marcando a Semana Mundial do Meio Ambiente”, informou o BB, referindo-se aos seis imóveis que serão leiloados na modalidade, com descontos de até 55% em relação ao valor de mercado.

Os imóveis estão localizados em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e Santa Catarina. Para participarem do certame, os interessados precisam se cadastrar no site da leiloeira oficial do BB, com até 24 horas de antecedência da disputa.

“A compra pode ocorrer 100% online, com pagamento em moeda corrente e certificados de crédito de carbono, ou integralmente, em créditos de carbono. Esses serão aceitos no valor unitário máximo de R$ 88,27 em ambas as possibilidades”, informou o banco ao destacar que os créditos de carbono devem ser gerados conforme “padrões e termos reconhecidos pelo mercado regulado ou pelo mercado voluntário, como o Verified Carbon Standard”.

 

Monday, July 18, 2022

Onda de calor mata mais de 1.000 em Portugal e Espanha, e incêndios se alastram pela Europa




França, Reino Unido e Itália também sofrem com recordes de temperaturas


MADRI | REUTERS e AFP
A onda de calor que atinge há quase uma semana o sul da Europa já deixou mais de 1.000 mortos apenas em Portugal e Espanha, além de uma série de incêndios florestais, que se alastram pelo continente.

Dados da Direção-Geral de Saúde de Portugal compilados na noite de sábado (16) apontavam a morte de 659 pessoas em meio à onda de calor nos sete dias anteriores, a maioria deles idosos. O pico de mortes ocorreu na quinta-feira (14), segundo o órgão, quando as temperaturas passaram dos 40ºC na maior parte do país —com recorde de 47ºC no distrito de Viseu, 300 km ao norte de Lisboa.

No mesmo dia, o Instituto de Saúde Carlos 3º, na Espanha, apontou 360 mortes relacionadas ao calor no país. Neste domingo (17), autoridades espanholas lutavam contra 20 incêndios ainda ativos e fora de controle em diferentes pontos do país. Na Galícia, na região noroeste, o fogo destruiu cerca de 4.500 hectares durante a semana.

Em Málaga, no sul, os bombeiros conseguiram estabilizar um incêndio na serra de Mijas que destruiu pelo menos 2.000 hectares. As chamas forçaram cerca de 3.000 pessoas a sair de casa, mas a maior parte delas já conseguiu retornar. Os britânicos William e Ellen McCurdy buscaram abrigo em um centro esportivo no sábado, quando o incêndio se aproximou. "Foi muito rápido, não levei muito a sério. Achei que eles tinham tudo sob controle e fiquei bastante surpreso quando o fogo parecia estar se movendo em nossa direção", disse William, 68.

A agência meteorológica da Espanha emitiu alertas para temperaturas máximas de 42ºC neste domingo nas regiões de Aragão, Navarra e La Rioja, no norte. Segundo a entidade, a onda de calor extremo deve terminar nesta segunda-feira (18), mas as temperaturas permanecerão "anormalmente altas".

Em Portugal, cerca de 1.000 bombeiros tentavam controlar 13 incêndios florestais e rurais no centro e no norte do país, o maior deles perto da cidade de Chaves. Quase todo o território apresentava um risco "máximo", "muito alto", ou "elevado" de incêndios neste domingo. Na última semana, o fogo destruiu entre 12 mil e 15 mil hectares, segundo cálculos oficiais.

Na França, a situação é crítica. No sudoeste do país, os bombeiros continuam lutando contra dois incêndios que já devastaram em torno de 11 mil hectares desde terça-feira (12) na região de Bordeaux, uma área equivalente à da cidade de Paris, disse à AFP o engenheiro Guillaume Rozier.

Segundo a agência meteorológica Météo-France, as temperaturas podem chegar a 40ºC nessa área. No domingo, 51 departamentos estavam sob alerta laranja, e 15, sob alerta vermelho, o mais alto, devido à escalada dos termômetros. "O calor está aumentando, a onda de calor está se espalhando pelo país", advertiu a agência.

As autoridades preveem que segunda-feira (18) será o dia mais quente no oeste do país, com temperaturas que podem ultrapassar os 40ºC nas regiões da Bretanha, Baixa Normandia, Aquitânia e Occitânia ocidental.

As temperaturas também continuam altas no Reino Unido, onde as autoridades decretaram a primeira emergência nacional por calor extremo. No sul da Inglaterra, as temperaturas podem passar dos 40°C pela primeira vez na segunda ou na terça-feira (19). ​Passageiros de trens foram aconselhados a viajar apenas se for absolutamente necessário e pode haver atrasos e cancelamentos generalizados.

Diante da onda de calor, Dominic Raab, adjunto do primeiro-ministro Boris Johnson, pediu que se respeite alguns "conselhos de senso comum". "Mantenha-se hidratado, evite sol nas horas mais quentes e passe protetor solar, esse tipo de coisa", disse ele à Sky News. Ao mesmo tempo, afirmou que é preciso "aproveitar o sol", que o país é resistente o suficiente para aguentar o calor e que não há razão para fechar as escolas.

As declarações foram criticadas por profissionais de saúde e meteorologistas. "Não é um dia bonito de sol, em que você pode passar protetor solar, ir nadar, ou comer fora", disse Tracy Nicholls, diretora-executiva do College of Paramedics. "Trata-se de um calor severo que pode, de fato, provocar mortes, porque é forte demais", acrescentou. "Não estamos preparados para esse tipo de calor neste país", insistiu.

Na Itália, onde incêndios menores ocorreram nos últimos dias, os meteorologistas esperam temperaturas acima de 40°C em várias regiões nos próximos dias.


 

Sunday, May 29, 2022

" Perdidos na Madrugada " Mudanças Climáticas.

 




Chuvas em Pernambuco: 'Não adianta receber o alerta e não saber o que fazer', avalia especialista em gestão de risco.


Por Erick Bang, GloboNews

 As fortes chuvas que atingiram o Grande Recife deixaram mais de 50 mortos devido a deslizamentos de barreiras. Nos dias anteriores ao temporal, a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) previu a chuva e divulgou alertas. Entretanto, para Leonardo Farah, especialista em gestão de risco e desastre, falta "vontade política" do poder público para evitar as mortes (veja vídeo acima).

Segundo o especialista, é preciso, para além de emitir alertas para a população que mora em locais de risco, dar condições de habitação e de mitigação de risco para as pessoas que podem ser afetadas por deslizamentos e inundações.

"Não adianta a gente receber o alerta e não saber o que fazer. Recebi um alerta que tem fortes chuvas, mas para onde eu vou? Para onde eu vou levar minha família? É uma complexidade grande, mas é possível fazer. Principalmente com um planejamento de longo prazo, verificando os locais de risco, as pessoas que moram em áreas de vulnerabilidade", afirmou.



 

  Comunidade de Monte Verde, na divisa do Recife com Jaboatão dos Guararapes, onde barreira deslizou matando dezenas de pessoas — Foto: Pedro Alves/g1


  Para Leonardo Farah, é preciso fazer planejamento urbano de longo prazo, e isso é o principal entrave na mitigação de riscos pelo poder público.

"É importante fazer um mapeamento dos locais de risco e realocar as pessoas. Porque essas pessoas que estão morando num local de risco, se não tiverem um outro local para viver, elas não vão sair de lá. É ilusão a gente achar que nós vamos deixar essas pessoas por um, dois, três meses num abrigo. É extremamente complicado você viver com uma população enorme dentro de um abrigo", disse.

O especialista em gestão de risco e desastre também disse que os desastres são previsíveis, reincidentes e cada vez mais intensos. Isso ocorre principalmente por causa das mudanças climáticas. O Recife, por exemplo, é a capital brasileira mais ameaçada por esses fenômenos, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU).


"A gente colocar a culpa na chuva é algo muito pretensioso, porque isso todo ano se repete, todo ano é a mesma situação. O evento natural extremo está cada vez acontecendo com uma maior frequência, maior intensidade e num curto espaço de tempo, por conta de questões de mudanças climáticas", explicou. 








Friday, May 20, 2022

Crise do clima vai afetar cadeias de exportação do Brasil, diz relatório

 By THIAGO BETHÔNICO Folhapress Yahoo



*ARQUIVO* SOUSA, PB, BRASIL, 09-01-2018: Coqueiral seco no distrito de São Gonçalo na cidade de Sousa (PB). (Foto: Avener Prado/Folhapress)


SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Secas, tempestades e outros eventos extremos vão se tornar cada vez mais frequentes e intensos nos próximos anos. Conforme destacou o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU), a atual crise do clima é sem precedentes e, pior, irreversível.

No setor privado, a necessidade de não agravar esse cenário vem ganhando força diante da pressão por boas práticas ESG (ambiental, social e de governança, na sigla em inglês). No entanto, as medidas de adaptação a esse "novo normal" seguem escassas, o que pode implicar em prejuízos não só para empresas, mas para setores inteiros.

Em relatório lançado em fevereiro, o IPCC evidenciou o descaso internacional com iniciativas de adaptação às ameaças do clima. Segundo o painel, a maior parte do financiamento climático tem sido direcionada para projetos de mitigação, isto é, que visem reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Iniciativas de proteção têm ficado em segundo plano, muito embora o problema já seja perceptível.

Dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) mostram que as temperaturas no Brasil já estão mais altas, enquanto as chuvas, mais intensas. O agronegócio, por exemplo, que representa cerca de 27% do PIB (Produto Interno Bruto) nacional, é um dos grandes prejudicados, sofrendo com perdas de safras e morte de animais.

"As mudanças climáticas atingirão as cadeias de abastecimento, mercados, finanças e comércio internacionais, reduzindo a disponibilidade de bens no Brasil e aumentando seu preço, bem como prejudicando os mercados para as exportações brasileiras", diz o relatório do IPCC, que posiciona o país como um dos que mais serão afetados por questões ambientais.

Apesar dos alertas, a economia brasileira não parece estar preparada para lidar com as ameaças.

André Ferretti, ambientalista e gerente da Fundação Grupo Boticário, afirma que medidas de adaptação climática deveriam ser essenciais na agenda corporativa. No entanto, o tema ainda é muito incipiente.

"Infelizmente nós estamos até mais atrasados do que na mitigação, que também está aquém do que deveria", diz.

Ele explica que os esforços pela descarbonização evitam que o problema se intensifique, enquanto a adaptação visa uma redução de risco e dos efeitos danosos que as mudanças climáticas trazem para os negócios.

"Adaptação é [tarefa] extremamente necessária, independentemente do que estamos fazendo em mitigação. Não é uma coisa ou outra, elas têm que andar juntas", afirma. "Ainda que conseguíssemos hoje, ou num curtíssimo prazo, zerar nossas emissões, aquilo que emitimos em excesso permanece na atmosfera causando efeitos por décadas ou séculos", acrescenta.

Segundo Ferretti, alguns governos locais estão implementando conceitos de adaptação para revisar planos diretores, por exemplo. Mas, considerando que boa parte da infraestrutura e dos modelos de negócio foi projetada para uma realidade climática que não existe mais, é fundamental que o tema seja discutido pelo setor privado também.

Clima eleva risco aos negócios No Brasil, o agronegócio é o setor econômico mais  vulnerável às mudanças climáticas, mas não o único

Vanessa Pinsky, especialista em ESG e pesquisadora da USP, destaca o mercado energético --fortemente baseado em hidrelétricas-- como outro segmento bastante exposto ao clima, além das seguradoras e do setor financeiro como um todo.

"Eu tenho muitas dúvidas sobre em que medida as empresas estão de fato olhando para a necessidade de adaptação numa perspectiva de risco sistêmico para o negócio", afirma.

Ela ressalta que as ameaças climáticas já estão bem mapeadas, e não se tratam de futurologia. "A alteração do ciclo de chuvas em várias regiões do Brasil é um fato dado, vai acontecer --em menor ou maior medida, dependendo do quanto conseguirmos conter o aquecimento global", diz.

Ela também destaca outros problemas irreversíveis ou próximos a um ponto de inflexão, como o derretimento de geleiras (que elevam o nível do mar), a savanização da Amazônia (que modifica o clima em diversos biomas) e o branqueamento de corais (que afeta a cadeia marinha).

"O cenário é tão complexo que isso não é problema de uma empresa. É problema de setores e do país como um todo. Precisamos de uma política pública pautada em estratégia e investimento de longo prazo em ciência, tecnologia e inovação", afirma Pinsky.

Sunday, June 5, 2016

Chile produz tanta energia solar, que agora é de graça.




Os preços à vista da energia solar chegaram a zero em algumas regiões do Chile durante 113 dias até abril - Mariana Greif / Bloomberg

SANTIAGO — A indústra solar do Chile se expandiu tão rapidamente que está gerando eletricidade gratuitamente. Os preços à vista chegaram a zero em algumas regiões do país durante 113 dias até abril, número que está a caminho de superar o total do ano passado, de 192 dias, segundo a operadora da rede central do país. Embora isto possa ser bom para os consumidores, é uma má notícia para as usinas de energia, em dificuldades para gerar receita, e para as empresas que buscam financiar novos parques.

A pior situação acontece na região norte do país, no deserto do Atacama. A crescente demanda por eletricidade do Chile, impulsionada pela expansão da produção das minas e pelo crescimento econômico, ajudou a estimular o desenvolvimento de 29 parques solares. Outros 15 estão nos planos da rede central. Agora, o Chile enfrenta a queda da demanda por energia devido à desaceleração da produção de cobre em meio a um excedente global, o que provoca um excesso de energia gerada em uma região que não possui linhas de transmissão para distribuir a eletricidade a outras partes.

“Os investidores estão perdendo dinheiro”, disse Rafael Mateo, CEO da unidade de energia da Acciona, que está investindo US$ 343 milhões (mais de R$ 1,2 bilhão) em um projeto de 247 megawatts na região e que será um dos maiores da América Latina. “O crescimento foi desordenado. Não se pode ter tantas empresas no mesmo lugar”.

Um dos principais problemas é que o Chile possui duas redes de energia principais, a central e a do norte, sem conexão entre si. Existem também áreas dentro das redes que não possuem uma capacidade de transmissão adequada.

Com isso, uma região pode ter muita energia, o que derruba os preços, porque o excedente não pode ser entregue a outras partes do país, segundo Carlos Barría, ex-chefe da divisão de energia renovável do governo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Chile, em Santiago.

INFRAESTRUTURA INADEQUADA

O governo está trabalhando para corrigir este problema, com planos de construir uma linha de transmissão de 3 mil quilômetros para ligar as duas redes até 2017. Além disso, está desenvolvendo uma linha de 753 quilômetros para resolver o congestionamento nas partes norte da rede central, a região na qual os excedentes de energia estão levando os preços a zero.

“O Chile tem pelo menos sete ou oito pontos nas linhas de transmissão que estão em colapso e bloqueados e tem o enorme desafio de driblar os pontos de estrangulamento”, disse o ministro de Energia, Máximo Pacheco, em entrevista, em Santiago. “Quando você embarca em um caminho de crescimento e desenvolvimento como o que temos tido, obviamente surgem problemas”.


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/economia/chile-produz-tanta-energia-solar-que-agora-de-graca-19439822#ixzz4Ai7laARi
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