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Saturday, May 24, 2025

Climate change could bring insect-borne tropical diseases to UK, scientists warn. Mosquito experts say cuts in aid will lead to collapse of crucial surveillance and control in endemic countries.

A female Culex quinquefasciatus mosquito feeding on human blood. Photograph: Jim Gathany/Centers for Disease Control/EPA

 

Health and social affairs correspondent
 
 


Climate change could make the UK vulnerable to insect-transmitted tropical diseases that were previously only found in hot countries, scientists have warned, urging ministers to redouble efforts to contain their spread abroad.

Leading mosquito experts said the government’s cuts to international aid would lead to a collapse in crucial surveillance, control and treatment programmes in endemic countries, leading to more deaths.

This week, the UK Health Security Agency announced the discovery of West Nile virus in UK mosquitoes for the first time. The agency said it had found no evidence of transmission to humans and the risk to the British public was low.

West Nile virus is transmitted by mosquitoes and, like dengue fever, chikungunya and zika, used to be confined to hotter regions of the world. But global heating has expanded the geographical spread of West Nile virus and other tropical diseases into cooler areas, including parts of northern and western Europe. In 2024, there were more than 1,400 cases of locally acquired West Nile virus and several hundred cases of dengue, mostly in France and Italy.

 

According to Dr Robert Jones, assistant professor at the London School of Hygiene and Tropical Medicine, in the most extreme scenarios – with temperatures rising by 4 to 5 degrees above pre-industrial levels – there is expected to be a fivefold increase in dengue and chikungunya outbreaks by the 2060s in Europe.

“We are unlikely to see a dramatic surge in tropical diseases,” said Jones. “However, climate change is making the UK more hospitable to the insects that that transmit some pathogens that cause tropical diseases.”

“Projected increases to UK temperatures in the coming years will increase the risks of West Nile virus outbreaks, potentially with epidemics appearing by the second half of the century.”

 

For tropical diseases to become established in the UK, those infected with the virus would have to be bitten by the appropriate mosquitoes, which then pass it on to other people.

For now, the UK does not yet have the right mosquitoes in sufficient numbers, said Prof Tom Solomon, the director of the National Institute for Health and Care Research’s health protection research unit on emerging infections and of the Pandemic Institute.

“At the moment, Aedes mosquitoes such as the Asian tiger mosquito are the main vectors of dengue fever and zika, whilst for West Nile, Culex species are important. These mosquitoes have been detected in the UK, but are not yet fully established in sufficient numbers to cause large outbreaks.

“But as the UK gets hotter, local mosquito populations are changing, which, long-term, could result in local transmission of tropical diseases, especially in southern England.”

For now, there is no need for the NHS to embark on mass vaccinations for yellow fever or to prescribe anti-malarial drugs. And the public does not yet need to routinely use insect repellent in Britain during summer.

 

A better defence against mosquito-borne disease would be to tackle it internationally, scientists say. Heather Ferguson, professor of infectious disease ecology at the University of Glasgow, who leads the Mosquito Scotland project, says the “absolute number one priority” for the UK government if it wants to protect UK citizens long-term is to invest in measures to control these diseases in the tropical countries where they cause the overwhelming burden of illness and death.

She added: “We should never lose sight of the fact that one child under five dies of malaria approximately every minute, with approximately 600,000 deaths and over 100 million cases in 2023 alone.

“As we learned from the pandemic, infectious diseases have no borders and can spread quickly when the conditions are right. The government’s cuts to foreign aid will lead to a collapse in crucial surveillance, control and treatment programmes in endemic countries, causing more deaths from tropical disease.

“The best way to defend ourselves is to not only maintain, but strengthen investment into the global elimination efforts that will ultimately keep all of us safe from tropical disease.”

Solomon said: “Controlling mosquito-borne diseases overseas is also an important element of protecting the UK. If they are controlled overseas, there is less chance of them spreading to the UK.”

“Long-term policies that address net zero challenges globally are arguably the best protection against such diseases,” said Prof James Wood, the infectious disease epidemiologist at the University of Cambridge and the co-director of Cambridge Infectious Diseases.

A FCDO spokesperson said: “Global health security is essential for our national security and the UK is a leading donor in the fight against mosquito-borne tropical diseases. We play a major role in the global malaria response, and we are the third largest donor to the global fund.

“This week we adopted a new pandemic agreement, which will improve the way countries around the world work together to detect and combat global health threats. As the minister for international development, Baroness Chapman, has said, global health will be a priority for the UK’s international development. Diseases cross borders so our diplomacy must too.”

 

Wednesday, February 21, 2024

Aquecimento global e descaso impulsionam dengue no Brasil


 

Gustavo Basso de São Paulo DW

Dados do governo indicam que país pode ter pior epidemia de dengue da sua história em 2024. Calor extremo e locais com acúmulo de lixo favorecem proliferação do mosquito transmissor da doença.




Resistindo às dores no quadril e coceira pelo corpo, o aposentado Aramis de Lima, de 62 anos, assiste com alívio a um batalhão de funcionários da limpeza pública retirarem cerca de duas toneladas de lixo e entulho do terreno vizinho a sua casa. Ele acredita que, se tivessem vindo duas semanas antes, já em meio à rápida expansão da dengue, teria escapado de sua primeira contaminação pela doença.

"Aqui na rua, 90% dos moradores pegou, certamente por causa desse lixo que estava acumulado", acredita. "Minhas netas tiveram sintomas que provavelmente foram de dengue, mas eu tenho histórico de amputação, dores em decorrência disso, aí juntou com a doença e resultou em dores muito fortes, espasmos musculares. Foi complicado", conta. Como sequela temporária, comum para a doença, ficaram as coceiras pelo corpo.

Pelas ruas da Vila Jaguara, na zona oeste de São Paulo, não faltam áreas e terrenos que sejam alvos da indignação de Lima e seus vizinhos. Numa área de pouco mais de dois quilômetros quadrados, equipes de saúde mapearam ao menos seis ferro-velhos e focos de acúmulo de lixo e entulho perfeitos para a procriação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, do zika vírus e da chikungunya.

Paralelamente, 7.369 imóveis receberam intervenções com inseticida ou assistência social para evitar os focos do mosquito entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano.

Os esforços, porém, não tiveram sucesso e não impediram a Vila Jaguara de deter o título de epicentro da dengue no município de São Paulo. Por lá, a taxa de contaminação é 28 vezes maior que a média paulistana. No Brasil, perde apenas para o Distrito Federal, onde cerca de 2,5% da população contraiu o vírus da dengue nos últimos meses.


Estufa de mosquito

Em condições normais de temperatura e chuva, o ciclo de vida do Aedes aegypti, da colocação dos ovos até a formação do mosquito, é de sete a dez dias, explica o coordenador de vigilância em saúde da capital paulista, Luiz Artur Caldeira.

"Se a condição for, por exemplo, de muito calor intenso, esse período pode baixar para até quatro dias, dobrando assim o número de mosquitos em relação ao ciclo normal", alerta. "Isso é algo que vem ocorrendo em boa parte do país desde pelo menos setembro do ano passado, muito por conta do El Niño", afirma, referindo-se ao fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal e persistente da superfície do Oceano Pacífico na região da Linha do Equador.

Especialistas vem alertando que os fenômenos climáticos extremos de 2023 são fruto direto do aquecimento global provocado pela ação humana. No entendimento do epidemiologista e professor da USP Paulo Lotufo, o que a atual epidemia de dengue ilustra é a extensão dos impactos que as mudanças climáticas gerarão sobre as populações humanas.

"Quanto maior for o aquecimento do planeta, mais o mosquito vai conseguir se reproduzir. Tanto é assim que ele já está chegando a lugares onde há muito tempo não estava, como Estados Unidos e Argentina. Até bem pouco tempo seria inimaginável fazer fumigação às margens do rio Sena, em Paris, para eliminação do Aedes", explica.

Com o calor dos últimos meses, os brasileiros vêm sentindo na própria saúde essa explosão da proliferação dos mosquitos. Em todo o país, o número de casos confirmados ou sob suspeita de dengue já passa de 653 mil — ou um infectado a cada 347 mil brasileiros. No mesmo período de 2023, o número de casos não chegava a 130 mil. Trata-se de um aumento de 294% de um ano para o outro, e que já provocou 113 mortes, enquanto 438 estão sendo investigadas.

Pelos dados do Ministério da Saúde, o avanço da dengue nunca foi tão rápido no Brasil, e o país pode chegar a 4,2 milhões de casos até o fim do ano.

"A taxa de letalidade da população como um todo varia de 3 a 7 por mil, ou seja, 0,3% a 0,7%. Quando eu falo que a taxa de letalidade da dengue é de cerca de 1%, o pessoal fala 'puxa, é pouco', mas não é! É o dobro do que é esperado sem a doença", ressalta Lotufo.



Imunização lenta

De todas as unidades da federação, o Distrito Federal apresenta o cenário mais complicado. Até 10 de fevereiro, data do último boletim epidemiológico, haviam sido registrados 23 óbitos pela doença em meio ao surto, que do ano passado para este explodiu em mais de 1.000%, atingindo quase todas as regiões com gravidade. Na capital do país, quase metade das mortes por dengue é de pessoas com mais de 60 anos.

Apesar da estimativa de que 70% da população da Vila Jaguara, em São Paulo, esteja nesse grupo, nenhuma morte foi registrada por dengue neste ano no bairro. O que não impede, entretanto, que moradores mais velhos temam a doença.

"Moro há 60 anos aqui e nunca vi nada parecido. Até mesmo minha filha e meus netos têm deixado de me visitar nas últimas semanas por medo desse surto provocado pelo lixo espalhado. Esperamos que agora melhore, mas o repelente está sempre na mão, não desgrudamos dele", conta a aposentada Nanci Albanez, que diz aguardar ansiosa pela vacina, que não tem prazo para chegar à maior cidade do país.

Por conta de limitações na produção da farmacêutica japonesa Takeda Pharma, o Ministério da Saúde adquiriu para este ano o suficiente para imunizar 2,5 milhões de pessoas com a vacina Qdenga. Por conta disso, apenas 10% de todos os municípios do país serão contemplados este ano, 11 deles em São Paulo, onde a vacinação começa nesta terça-feira (20/02), com crianças entre 10 e 11 anos na região do Alto Tietê.

A partir de 2025, entrará em campo ainda a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, que ao contrário da japonesa, exige aplicação única. O epidemiologista Paulo Lotufo, porém, enfatiza que a vacina é um auxiliar e que, agora e no futuro, o fundamental é reduzir o contato da população com o mosquito.



Drone footage shows severe drought hitting river in Brazil – video

  Drone footage from 17 September shows the Araguaia River drying up, as severe drought grips parts of Brazil. The country is preparing for ...