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Sunday, December 15, 2024

Por que terras férteis estão se tornando desertos

 

Plantio de árvores no deserto de Kubuqi, no norte da China, faz parte da luta contra a rápida desertificação global

 Stuart Braun

 Área equivalente a quatro campos de futebol vira deserto a cada segundo no mundo, o que, ao longo de um ano, ganha a dimensão de uma Etiópia. Os esforços para restaurar e reflorestar esse terreno árido podem dar frutos?

 

Quase metade da superfície sólida do planeta está prestes a se tornar um deserto não arável, de acordo com a Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês).

Essas terras são marcadas há muito tempo pela baixa pluviosidade, e mesmo assim sustentam 45% da agricultura mundial. Agora, a seca extrema ligada ao aquecimento global causado pelo homem está ajudando a transformar essa área em um terreno baldio infértil.

Com uma em cada três pessoas do mundo vivendo nessas regiões áridas, especialistas alertam que a insegurança alimentar, a pobreza e o deslocamento em massa acompanharão a desertificação. 

O problema é tão grave que uma conferência das Nações Unidas sobre desertificação (COP16), a ser realizada na Arábia Saudita em dezembro, exige que 1,5 bilhão de hectares de terras desertificadas do mundo sejam restaurados até 2030. Pelos cálculos da ONU, essa é a porção que poderia ser reabilitada.

 

O que é desertificação?

A desertificação é uma forma de degradação pela qual a terra fértil perde grande parte de sua produtividade biológica – e econômica – e se torna um deserto.

 

Atualmente, até 40% das terras do mundo já estão degradadas, de acordo com a UNCCD.

Embora as mudanças climáticas, o desmatamento, o uso excessivo de pastagem para pecuária, práticas agrícolas insustentáveis e a expansão urbana sejam os principais fatores da desertificação, uma crise global de estiagem está exacerbando o problema.

A seca e o calor extremos provocam escassez de água e levam à degradação do solo e à perda de culturas e vegetação.

Com a previsão de que 2024 será o ano mais quente já registrado, a seca poderá afetar 75% da população mundial até 2050, de acordo com relatório da ONU divulgado nesta semana.

A escassez de água agrava ainda mais os impactos do desmatamento. Menos árvores significa menos raízes para prender o solo e evitar erosão.

Enquanto isso, questões sociais, como maior dificuldade para mulheres de possuir terras, também podem afetar a saúde da terra e do solo. A ONU observa que as mulheres investem com mais frequência em sistemas alimentares biodiversos, ao contrário dos homens, que se concentram principalmente em monoculturas de alta produtividade que podem degradar a terra rapidamente.

As areias da Arábia Saudita servem de cenário para a conferência da ONU sobre desertificação

Por que enfrentar a desertificação é importante?

A grave degradação da terra e a desertificação estão afetando a capacidade do planeta de "apoiar o bem-estar ambiental e humano", disse um relatório da UNCCD de 2024.

A terra degradada não pode mais sustentar diversos ecossistemas ou ajudar a regular o clima, os fluxos de água e a produção de nutrientes vitais para toda a vida.

A terra saudável também proporciona segurança alimentar e um sistema agrícola sustentável, aponta o estudo.

Porém, com tanta terra fértil e produtiva degradada a cada ano, a desertificação contínua está acelerando a perda de biodiversidade, a fome e a pobreza.

Migração forçada e conflitos sobre recursos em declínio serão algumas das consequências futuras.

"São a terra e o solo sob nossos pés que cultivam o algodão para as roupas que vestimos, garantem a comida em nossos pratos e ancoram as economias das quais dependemos", observou Ibrahim Thiaw, secretário executivo da UNCCD.

Árvores estão sendo plantadas no Senegal, na África Ocidental, para conter o avanço do deserto

O que pode ser feito?

Um tema fundamental dos esforços para combater a desertificação é a restauração do solo e a promoção de uma agricultura e de um manejo de pastagens mais sustentáveis e "positivos para a natureza", de acordo com Susan Gardner, diretora da divisão de ecossistemas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Isso anda de mãos dadas com a conservação de "bacias hidrográficas" que armazenam água.

O Programa Mundial de Alimentos da ONU, por exemplo, tem trabalhado para melhorar a resiliência da água na Mauritânia e no Níger, no oeste da África, construindo "meias-luas" que retêm a água da chuva.

Os lagos semicirculares ajudam solos degradados a reter a água por mais tempo e a sustentar a vegetação. Além disso, eles são práticos e econômicos para a população local construir.

Mas medidas mais drásticas também estão sendo tomadas para impedir a expansão dos desertos.

Em 2007, as nações da região do Sahel, na África, decidiram impedir a expansão do deserto do Saara para o norte, alimentada pela seca e pela mudança climática, cultivando árvores, pastagens e vegetação para criar a Grande Muralha Verde.

Bilhões de árvores seriam plantadas ao longo de quase 8.000 km, do litoral oeste ao leste da África, para criar zonas de amortecimento e evitar mais desertificação.

De acordo com os números mais atualizados da ONU, um quinto da restauração desejada foi alcançado, com o progresso paralisado devido à falta de financiamento. No entanto, novas iniciativas estão avançando com o objetivo de tornar mais verdes 100 milhões de hectares de terras degradadas em toda a África.

Uma iniciativa semelhante de replantio na China e no deserto de Gobi, na Mongólia, também conhecida como a "Grande Muralha Verde", inclui esforços para reduzir o o uso excessivo de pasto entre os pastores da Mongólia.

Quase 80% das terras da Mongólia foram afetadas pela degradação até 2020, e uma iniciativa da ONU buscou combater a desertificação por meio do gerenciamento sustentável da terra, incluindo a proteção de quase 850 mil hectares na região sul de Gobi como corredores de biodiversidade.

 


 


 

Friday, December 13, 2024

Brazil - Seca recorde impõe estado de escassez hídrica inédito no Brasil, com 5 bacias em pior nível

 

Trecho seco do rio Madeira, próximo ao município de Humaitá (AM), onde o transporte de suprimentos e combustível foi afetado pela seca severa, pelo segundo ano consecutivo - Lalo de Almeida - 12.set.2024/Folhapress 

 



Áreas dos rios Xingu, Tapajós, Purus, Madeira e Paraguai enfrentaram, em 2024, cenário nunca antes registrado, comprometendo 26% do território nacional 

 

 André Borges

 

As mudanças climáticas resultaram em um cenário trágico e recorde para os rios brasileiros em 2024. Pela primeira vez na história, em mais de um século de medições de volume, cinco grandes bacias hidrográficas do país tiveram decretado, oficialmente, "estado de escassez hídrica", pela ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico).

Foi o que se viu nas bacias dos rios Madeira, Purus, Tapajós e Xingu, todos afluentes do rio Amazonas, e no rio Paraguai, que banha o pantanal.

Com exceção do rio Madeira, que já tinha sido alvo dessa situação extrema de seca, todos os demais motivaram decretos de escassez pela primeira vez nas medições, iniciadas há mais de cem anos.

 


 

As informações obtidas pela Folha, por meio de dados oficiais da ANA, apontam que, somadas as áreas das cinco bacias afetadas, chega-se a um território total impactado de 2,264 milhões de km².

Isso significa que, em 2024, ano em que o Rio Grande do Sul foi vítima das piores cheias da sua história, 26% do território nacional também sofreu com as consequências da seca extrema, impactando abastecimento humano, produção agrícola, logística e geração de energia.

A declaração de escassez hídrica não é uma mera formalidade. Esse instrumento utilizado pela ANA, na prática, serve de gatilho para que uma série de políticas públicas emergenciais possam ser tomadas para evitar a pane total no sistema hídrico.

É o ato que alerta sobre a necessidade de medidas preventivas do Corpo de Bombeiros, por exemplo, para evitar queimadas em áreas de seca extrema; para que o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) altere o nível de um reservatório de hidrelétrica; ou para que Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) acelere a dragagem (retirada de sedimentos) de um determinado trecho de rio para garantir a passagem de embarcações.



Veronica Sánchez, diretora-presidente da ANA, afirma que, neste ano, os decretos de escassez balizaram medidas preventivas na bacia do rio Paraguai, na região do pantanal, sinalizando que medidas de combate a incêndios tinham de ser antecipadas, devido à seca severa em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Na amazônia, onde a situação nunca havia chegado ao extremo atual, alertas também foram enviados para recomendar medidas na região do Madeira e Solimões, onde trechos chegaram a ficar intrafegáveis.

 

"Tivemos a pior seca na região Norte em mais de cem anos da série histórica. Com exceção do rio Madeira, foi a primeira vez que fizemos a declaração de escassez nos demais rios. Observamos o comportamento cíclico dos rios e nunca encaramos nada parecido com o ocorreu agora", diz Sánchez.

Limitações no monitoramento

O governo federal tem adotado uma postura dúbia quando o assunto é o monitoramento da situação hídrica do país. Se, por um lado, reconhece o cenário crítico e procura tomar medidas para reduzir seus impactos, por outro, corta orçamentos que estrangulam a capacidade de fiscalização.

 

A ANA possui 23 mil estações de monitoramento hidrológico espalhadas pelos rios do país. Essa rede hidrometeorológica é o que irriga o "cérebro nacional", para fiscalizar vazões e cheias e apoiar decisões. Acontece que a agência está sem nenhum estoque desses equipamentos, por falta de recursos. Hoje, se alguma estação quebrar, não há como repor.

Em maio, quando o Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, viu cidades inteiras serem engolidas pela lama, até chegar ao Guaíba, em Porto Alegre, todas as 17 estações da região foram destruídas. A ANA tinha oito equipamentos em estoque e os enviou para a região. Os demais foram recuperados até este mês.

Neste momento, porém, não há uma estação sequer disponível. Cada equipamento custa cerca de R$ 800 mil.

Pantanal
 

"Nosso orçamento total neste ano foi de R$ 227 milhões. O monitoramento fica com praticamente metade disso. São R$ 108 milhões por ano para manter as 23 mil estações. A questão é que sofremos um corte de R$ 43 milhões no começo do ano, e isso não foi reposto. Ficamos sem condições, o estoque é zero", diz Sánchez.

A agência teve que cortar ações para manter o pagamento da folha. Na terceirização administrativa, quem sai não é recomposto. Hoje há um déficit de 101 pessoas no quadro. São 262 profissionais para monitorar todos os rios do Brasil, menos do que a agência tinha em 2001, quando foi criada, com 350 pessoas.

Tendência é de piora

O secretário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima), André Lima, diz acreditar que as mudanças climáticas chegaram para ficar e que as secas e enchentes serão cada vez mais frequentes e intensas.

"Não se adapta toda a gestão pública para este novo normal em um ano. Em situação de restrição fiscal, não é possível aumentar significativamente os orçamentos ordinários de todos os órgãos federais sem uma previsão clara e prévia", afirma à Folha.

Praias de areia formadas no rio Tapajós, próximo a Santarém (PA), por causa da seca severa que atinge a região 

Em sua avaliação, o cenário climático passa a exigir um novo tipo de tratamento do assunto pelo poder público. "Os sistemas mais assertivos permitem previsões meteorológicas com antecedência máxima de três meses. Será preciso, inclusive, adaptar e dar mais agilidade aos procedimentos e mecanismos, para termos disponibilidade orçamentária extraordinária."

Suely Araújo, coordenadora de políticas públicas do Observatório do Clima, lembra que o Brasil sempre teve condição privilegiada em relação a outros países quando o tema é disponibilidade hídrica, sendo dono de 12% da água doce superficial do planeta, mas que o país não tem feito a atualização desse cenário com os quadros de escassez hídrica que afetam grandes bacias.

 

"Crise climática e crise hídrica estão associadas, especialmente em situações que se combinam com a intensificação da degradação ambiental nos territórios. Isso impõe maior atenção para o gerenciamento dos recursos hídricos e aplicação completa e correta da Lei dos Recursos Hídricos", avalia a especialista.

"Não se pode privilegiar descaradamente um setor, como se faz com as grandes captações para irrigação. O olhar tem de ser para os usos múltiplos e, em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais."


 

Para Carlos Bocuhy, presidente do Proam (Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental), a ampliação da crise vai gerar, no futuro, mais disputas entre regiões por recursos hídricos, como ocorreu anos atrás com o sistema Cantareira, entre São Paulo e Campinas.

"Sistemas de reúso e saneamento andam a passos lentos, enquanto a crise climática aumenta continuamente a escassez. A conta não fecha. É preciso combater a mudança do clima e implementar governança hídrica para a sustentabilidade", diz.

Márcio Santilli, sócio fundador do ISA (Instituto Socioambiental), redobra o alerta. "O Brasil é, ou era, o país com maior disponibilidade de água doce. Com seguidas estiagens agudas, ingressamos num ciclo de escassez que afeta não só populações tradicionais, mas também ameaça a agricultura, a geração de energia e o abastecimento das cidades. Ou nos unimos para reverter esse quadro, ou vamos nos queimar."


 

 

Martianization - Drylands now make up 40% of land on Earth, excluding Antarctica, study says

 

Desert homestead in Namibia. Africa lost about 12% of its GDP owing to the increasing aridity of land between 1990 and 2015. Photograph: Hoberman Collection/Universal Images Group/Getty Images


 

An area nearly a third larger than India turned permanently arid in past three decades, research shows

Environment editor

An area of land nearly a third larger than India has turned from humid conditions to dryland – arid areas where agriculture is difficult – in the past three decades, research has found.

Drylands now make up 40% of all land on Earth, excluding Antarctica. Three-quarters of the world’s land suffered drier conditions in the past 30 years, which is likely to be permanent, according to the study by the UN Science Policy Interface, a body of scientists convened by the United Nations.

Africa lost about 12% of its GDP owing to the increasing aridity between 1990 and 2015, the report found. Even worse losses are forecast: Africa will lose about 16% of its GDP, and Asia close to 7%, in the next half decade.

Ibrahim Thiaw, executive secretary of the UN convention to combat desertification (UNCCD), said: “Unlike droughts – temporary periods of low rainfall – aridity represents a permanent, unrelenting transformation.

 


“Droughts end. When an area’s climate becomes drier, however, the ability to return to previous conditions is lost. The drier climates now affecting vast lands across the globe will not return to how they were, and this change is redefining life on Earth.”

Some crops will be particularly at risk: maize yields are projected to halve in Kenya by 2050, if current trends continue. Drylands are areas where 90% of the rainfall is lost to evaporation, leaving only 10% for vegetation. Two-thirds of land globally will store less water by mid-century, according to the report published on Monday.

Governments are more than halfway through a global conference in Riyadh, which concludes this Friday, under the UNCCD. Saudi Arabia is one of the world’s most arid countries, and is anxious to use the fortnight of talks to gain global agreement on halting the degradation of the world’s lands, and begin restoring affected areas.

Despite hosting the conference, Saudi Arabia has appeared reluctant to talk about the climate crisis, which is the key driver of desertification around the world. Saudi Arabia played an obstructive role at a key climate summit, the UN framework convention on climate change conference of the parties (Cop) in Azerbaijan last month.

The world’s water problems are fast growing more acute as a result of global failure to tackle greenhouse gas emissions. According to the UN SPI (science-policy interface) study, as of 2020, about 30% of the population – 2.3 billion people globally – lived in drylands, up from about 22.5% in 1990.

By 2100, this is projected to double, if too little is done to reduce carbon emissions. Nearly half of Africa’s people already live in drylands.

Barron Orr, chief scientist at UNCCD, said: “For the first time, a UN scientific body is warning that burning fossil fuels is causing permanent drying across much of the world, with potentially catastrophic impacts affecting access to water that could push people and nature even closer to disastrous tipping points.”

Climate breakdown is “inextricably linked” to the world’s water crisis, multiple studies have shown, but poor farming practices, overextraction of water, the erosion of soil and destruction of natural vegetation are also factors.

Praveena Sridhar, chief technical officer of the Save Soil campaign group, said: “Healthy soils are the foundation of life. Drying lands signify degraded soils, and the cause is clear: human activity.

 


“Intensive agriculture is the leading driver of land and soil degradation, fuelling biodiversity loss, carbon sequestration decline, and worsening floods, droughts and wildfires – issues rapidly increasing across the globe.”

Experts called on governments to act. Mark Maslin, professor of earth system science at University College London, who was not involved with the study, warned: “This is the land we rely on to produce food. [This] is not only a warning but a call to politicians that there are solutions.

“First: we can curb greenhouse gas emissions, which will reduce climate change and global aridification. Second, we can acknowledge the world is drying and take measures to slow it down and to adapt to it.

“We now have so many solutions: sustainable agriculture, water management, reforestation and rewilding to education and awareness building. Ultimately good local and national governance is required to deal with the desertification of our precious life-giving planet.”

Kate Gannon, research fellow at the Grantham Institute, London School of Economics, told the Guardian: “Rising aridity deepens poverty, forces over-exploitation of fragile resources and accelerates land degradation, creating a vicious cycle of resource scarcity, water insecurity and diminished agricultural potential.

“These communities, with the least capacity to adapt, face dire consequences to health, nutrition and wellbeing from risks of food shortages, displacement, and forced migration. This is not only a profound injustice, but also a global challenge.”

 

Wednesday, September 18, 2024

The fires that could reshape the Amazon

A firefighter battling flames in the Brasilia National Forest of Brazil on Sept. 4. Ueslei Marcelino/Reuters
 

 By Manuela Andreoni

 

Large parts of Brazil, a country that holds over a tenth of the world’s fresh water, are on fire. They include vast areas of the Amazon rainforest and the Pantanal, the world’s largest wetlands, as well as the Cerrado grasslands and the Atlantic forests along the country’s eastern coast.

The number of fires in the country has more than doubled compared with last year, burning an area the size of Costa Rica in August alone.

Smoke covered large parts of South America this month and blackened the skies of some of the region’s biggest cities, including Buenos Aires; São Paulo, Brazil; and La Paz, Bolivia. As if that weren’t dystopian enough, black rain from the soot produced by the fires has fallen over cities in several states in Brazil in the past few days.

In much of Brazil, fire season usually peaks this time of the year, as farmers set fire to pasture and burn recently deforested plots to clear them of unwanted vegetation. But blazes have unleashed a lot more destruction this year.

Though experts say many of the fires were very likely started by humans, the abundance of dry vegetation fueled immense blazes that grew out of control in extraordinary ways.

Almost half of the fires in the Amazon burned pristine forests, according to data from Brazil’s National Institute for Space Research. That is far from typical. It means fighting deforestation in the Amazon is no longer enough to stop fires.

This matters because it shows that the fire-control practices in some of the world’s most biodiverse places are not working. And that threatens myriad forms of life, including us. The collapse of the Amazon rainforest could release the equivalent of as much as 20 years’ worth of global carbon emissions into the atmosphere.

Deforestation and fires

The drought-depleted Madeira River, a tributary of the Amazon, in Humaita, Amazonas State, on Sept. 7. Edmar Barros/Associated Press

 

 

Deforestation is still a big problem in South America. The Cerrado grasslands, in the east of Brazil, continue to lose much of their tree cover as farmers plant soy crops that can cover areas as big as whole cities. And, while deforestation in the Amazon rainforest has slowed, it is still happening at a faster pace than the forest’s recovery rate.

Stopping deforestation should still be the priority, scientists told me. But, as the planet warms, other threats are growing.

A study from 2018 showed that, when there is drought in the Amazon, fires can increase even when deforestation goes down. That’s because drier vegetation in the form of standing trees continues to fuel the blazes.

“If fires are a direct consequence of deforestation, then a policy to fight deforestation should also be effective against fires,” said Luiz Aragão, a scientist at the space research institute and one of the authors of the study. “And what we are seeing is that it isn’t.”

Large parts of South America are under the worst category of drought. That’s partly because of natural climate patterns, such as the El Niño, which are associated with scarcer rains in the region. But global warming is probably making matters worse in the background.

Last year, scientists found that higher temperatures had made the drought in the Amazon more intense. It’s also likely that these weather patterns will change soon, as La Niña, which cools the Pacific and usually means more rain in this part of the world, sets in.

Ecosystems may change in dramatic ways


  

Part of the Brasília National Forest burning on Sept. 3. Eraldo Peres/Associated Press

 

 Looking years ahead, the situation is unlikely to improve. Humans are still burning fossil fuels that heat up the atmosphere, so extreme droughts like the current one are likely to become more frequent, scientists say.

“Maybe 2024 is the best year of the ones that are coming, as incredible as it may seem,” said Erika Berenguer, a senior research associate at the University of Oxford. “The climate models show a big share of the biome is going to become drier.”

Brazil’s environment minister, Marina Silva, recently told senators there that “we may lose the Pantanal by the end of the century,” explaining that dwindling rain and increasing heat are huge obstacles to the wetlands’ abitity to recharge to sustainable levels.

The Amazon is very likely to transform sharply if this trend continues. The forest didn’t evolve to burn like other ecosystems such as the boreal forests, Berenguer told me. The bark on its trees is thin, unlike that of redwood trees and sequoias, so even a little fire can kill them.

The types of Amazonian plants that can grow back after fires aren’t the majestic trees we associate with the rainforest, but scrubbier ones that grow and die fast and hold a lot less planet-warming carbon in their trunks.

“What the data shows is that even 30 years after fire, the burned forest still has 25 percent less carbon than a forest that never burned,” Berenguer told me.

 


 

UK must stockpile food in readiness for climate shocks or war, expert warns. Prof Tim Lang says country produces far less food than it needs to feed population and is particularly vulnerable

  The UK is one of the least food self-sufficient countries in Europe. Photograph: Major Gilbert/Alamy by   Helena Horton Environment repo...