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Friday, January 2, 2026

Hidrelétricas da Amazônia podem perder até 40% de força de geração nos próximos anos

 

Trecho de vazão reduzida do rio Xingu sofre com redução de água devido à barragem de Belo Monte, no Pará - Lalo de Almeida 20.set.22/Folhapress 
 
by  André Borges
 



 
 
Brasília

O protagonismo da geração hidrelétrica está em xeque. Grande parte das usinas da Amazônia poderá sofrer reduções drásticas em seu potencial de geração de energia elétrica, com perdas projetadas entre 30% e 40% nas próximas décadas, devido aos impactos das mudanças climáticas.

A conclusão faz parte de um novo estudo da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) sobre as projeções climáticas para o regime de chuvas, vazões de rios e a segurança hídrica no Brasil nas próximas décadas. A redução projetada considera um horizonte de quatro décadas, até 2065.

Caso os investimentos em novos projetos continuem baseados apenas em dados históricos, especialistas alertam que o país pode ver uma onda de usinas incapazes de produzir a energia esperada, resultando em aumento de custo para o consumidor e dependência de termelétricas fósseis.

 

Segundo o relatório "Impacto da Mudança Climática nos Recursos Hídricos do Brasil", a queda na produção seria uma consequência de mudanças que podem ocorrer no padrão de fluxo natural das águas por causa do aquecimento global.

Ao observar o comportamento já verificado das vazões médias dos rios no período de 1950 a 2014, o documento projeta o desempenho no futuro próximo, até 2065, e para tempos mais distantes, num horizonte até 2100. O resultado aponta que a região Norte é a com maior risco de ser afetada.

Enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste tendem a registrar diminuições de até 10% na geração hidrelétrica, a Amazônia pode enfrentar perdas maiores devido à redução de vazões, afetando usinas de grande porte já instaladas e os empreendimentos planejados para os próximos anos.

"Considerando que a geração de energia seja diretamente relacionada à vazão média afluente, as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste mostram reduções de 0(zero)-10%, enquanto a região Norte apresenta as projeções mais pessimistas, com alterações de 30-40%", afirma o estudo.

 

"Dentre os empreendimentos existentes, os maiores impactos se concentram nas usinas com maior potência instalada, a maioria delas localizada na bacia Amazônica", continua o documento.

O estudo da Agência Nacional de Águas aponta que, se nada for ajustado, a expansão hidrelétrica brasileira corre o risco de ser planejada com base em um cenário climático que não existirá mais.

Nas últimas duas décadas, o país apostou na Amazônia como a última grande fronteira hídrica para ampliar sua capacidade hidrelétrica, com a construção de usinas como Belo Monte, no rio Xingu, e Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira.

Ocorre que, segundo o documento, essas usinas foram projetadas levando em conta séries históricas de vazões que já não representam mais o padrão futuro dos rios. Com o prolongamento das estações secas e a antecipação da perda de umidade no solo, fenômenos já observados anualmente no Xingu e no sul do Amazonas, o ciclo de água na região está vivendo uma fase de mudança estrutural.

 

No rio Amazonas, houve um aumento na ocorrência de cheias e secas extremas nas últimas décadas. Se considerado o período dos últimos 125 anos, nota-se que, entre as dez maiores cheias ocorridas na região, sete se deram nos últimos 16 anos, a partir de 2009.

No caso das secas, entre os 10 menores níveis observados, 5 ocorreram nos últimos 28 anos. Em 2023 e 2024 a região registrou duas secas seguidas sem precedentes, com níveis de água muito abaixo do que já havia sido observado no passado.

A ANA sustenta que incorporar cenários climáticos futuros ao planejamento de longo prazo não é apenas uma recomendação técnica, mas uma necessidade para evitar perdas financeiras e insegurança energética.

O Brasil possui hoje 216 gigawatts de potência de energia elétrica, com mais de 24 mil usinas em operação comercial, segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Metade dessa geração vem da força dos rios, com 50,5% atrelada a usinas hidrelétricas de todos os portes.

O estudo reforça que os efeitos não se limitam à geração elétrica. A redução de vazões também vai afetar a irrigação, o abastecimento urbano e a biodiversidade, caso o planejamento dessas áreas não passe a incorporar as projeções climáticas.



 

Os resultados indicam que as mudanças climáticas na hidrologia deverão mexer com a segurança hídrica em boa parte do Brasil, enquanto outras regiões devem sofrer com o aumento de enxurradas e alagamentos urbanos, como se viu no Rio Grande do Sul em 2024.

Do lado do poder público, a falta de recursos financeiros tem comprometido o enfrentamento do problema, afirma a ANA. "A sustentabilidade política das políticas hídricas e climáticas segue ameaçada por cortes orçamentários, descontinuidade institucional e ausência de uma política de Estado que una água e clima de forma duradoura", diz a agência no documento.

A ANA afirma que uma eventual mudança de postura "exige blindagem orçamentária, maior participação social e inovação normativa, de modo a reconhecer a incerteza como ponto de partida para garantir segurança hídrica em cenários climáticos cada vez mais instáveis".

Wednesday, February 21, 2024

Aquecimento global e descaso impulsionam dengue no Brasil


 

Gustavo Basso de São Paulo DW

Dados do governo indicam que país pode ter pior epidemia de dengue da sua história em 2024. Calor extremo e locais com acúmulo de lixo favorecem proliferação do mosquito transmissor da doença.




Resistindo às dores no quadril e coceira pelo corpo, o aposentado Aramis de Lima, de 62 anos, assiste com alívio a um batalhão de funcionários da limpeza pública retirarem cerca de duas toneladas de lixo e entulho do terreno vizinho a sua casa. Ele acredita que, se tivessem vindo duas semanas antes, já em meio à rápida expansão da dengue, teria escapado de sua primeira contaminação pela doença.

"Aqui na rua, 90% dos moradores pegou, certamente por causa desse lixo que estava acumulado", acredita. "Minhas netas tiveram sintomas que provavelmente foram de dengue, mas eu tenho histórico de amputação, dores em decorrência disso, aí juntou com a doença e resultou em dores muito fortes, espasmos musculares. Foi complicado", conta. Como sequela temporária, comum para a doença, ficaram as coceiras pelo corpo.

Pelas ruas da Vila Jaguara, na zona oeste de São Paulo, não faltam áreas e terrenos que sejam alvos da indignação de Lima e seus vizinhos. Numa área de pouco mais de dois quilômetros quadrados, equipes de saúde mapearam ao menos seis ferro-velhos e focos de acúmulo de lixo e entulho perfeitos para a procriação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, do zika vírus e da chikungunya.

Paralelamente, 7.369 imóveis receberam intervenções com inseticida ou assistência social para evitar os focos do mosquito entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano.

Os esforços, porém, não tiveram sucesso e não impediram a Vila Jaguara de deter o título de epicentro da dengue no município de São Paulo. Por lá, a taxa de contaminação é 28 vezes maior que a média paulistana. No Brasil, perde apenas para o Distrito Federal, onde cerca de 2,5% da população contraiu o vírus da dengue nos últimos meses.


Estufa de mosquito

Em condições normais de temperatura e chuva, o ciclo de vida do Aedes aegypti, da colocação dos ovos até a formação do mosquito, é de sete a dez dias, explica o coordenador de vigilância em saúde da capital paulista, Luiz Artur Caldeira.

"Se a condição for, por exemplo, de muito calor intenso, esse período pode baixar para até quatro dias, dobrando assim o número de mosquitos em relação ao ciclo normal", alerta. "Isso é algo que vem ocorrendo em boa parte do país desde pelo menos setembro do ano passado, muito por conta do El Niño", afirma, referindo-se ao fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal e persistente da superfície do Oceano Pacífico na região da Linha do Equador.

Especialistas vem alertando que os fenômenos climáticos extremos de 2023 são fruto direto do aquecimento global provocado pela ação humana. No entendimento do epidemiologista e professor da USP Paulo Lotufo, o que a atual epidemia de dengue ilustra é a extensão dos impactos que as mudanças climáticas gerarão sobre as populações humanas.

"Quanto maior for o aquecimento do planeta, mais o mosquito vai conseguir se reproduzir. Tanto é assim que ele já está chegando a lugares onde há muito tempo não estava, como Estados Unidos e Argentina. Até bem pouco tempo seria inimaginável fazer fumigação às margens do rio Sena, em Paris, para eliminação do Aedes", explica.

Com o calor dos últimos meses, os brasileiros vêm sentindo na própria saúde essa explosão da proliferação dos mosquitos. Em todo o país, o número de casos confirmados ou sob suspeita de dengue já passa de 653 mil — ou um infectado a cada 347 mil brasileiros. No mesmo período de 2023, o número de casos não chegava a 130 mil. Trata-se de um aumento de 294% de um ano para o outro, e que já provocou 113 mortes, enquanto 438 estão sendo investigadas.

Pelos dados do Ministério da Saúde, o avanço da dengue nunca foi tão rápido no Brasil, e o país pode chegar a 4,2 milhões de casos até o fim do ano.

"A taxa de letalidade da população como um todo varia de 3 a 7 por mil, ou seja, 0,3% a 0,7%. Quando eu falo que a taxa de letalidade da dengue é de cerca de 1%, o pessoal fala 'puxa, é pouco', mas não é! É o dobro do que é esperado sem a doença", ressalta Lotufo.



Imunização lenta

De todas as unidades da federação, o Distrito Federal apresenta o cenário mais complicado. Até 10 de fevereiro, data do último boletim epidemiológico, haviam sido registrados 23 óbitos pela doença em meio ao surto, que do ano passado para este explodiu em mais de 1.000%, atingindo quase todas as regiões com gravidade. Na capital do país, quase metade das mortes por dengue é de pessoas com mais de 60 anos.

Apesar da estimativa de que 70% da população da Vila Jaguara, em São Paulo, esteja nesse grupo, nenhuma morte foi registrada por dengue neste ano no bairro. O que não impede, entretanto, que moradores mais velhos temam a doença.

"Moro há 60 anos aqui e nunca vi nada parecido. Até mesmo minha filha e meus netos têm deixado de me visitar nas últimas semanas por medo desse surto provocado pelo lixo espalhado. Esperamos que agora melhore, mas o repelente está sempre na mão, não desgrudamos dele", conta a aposentada Nanci Albanez, que diz aguardar ansiosa pela vacina, que não tem prazo para chegar à maior cidade do país.

Por conta de limitações na produção da farmacêutica japonesa Takeda Pharma, o Ministério da Saúde adquiriu para este ano o suficiente para imunizar 2,5 milhões de pessoas com a vacina Qdenga. Por conta disso, apenas 10% de todos os municípios do país serão contemplados este ano, 11 deles em São Paulo, onde a vacinação começa nesta terça-feira (20/02), com crianças entre 10 e 11 anos na região do Alto Tietê.

A partir de 2025, entrará em campo ainda a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, que ao contrário da japonesa, exige aplicação única. O epidemiologista Paulo Lotufo, porém, enfatiza que a vacina é um auxiliar e que, agora e no futuro, o fundamental é reduzir o contato da população com o mosquito.



Wednesday, August 9, 2023

Floods, Fires and Torrential Rains Further Bedevil Europe

The extreme weather across the continent this summer has destroyed huge amounts of land, forced many to evacuate, and in some cases caused deaths.
Dropping water over a fire in Apesia, southern Cyprus, on Monday.Credit...Philippos Christou/Associated Press

By Emma Bubola Aug. 8, 2023 

Floods, fires and heavy rains have landed more blows across Europe this week, with the authorities on the continent scrambling to respond to the extreme weather that has become increasingly common in the past few years. 

The most recent events have destroyed large amounts of land, left dozens of people injured, forced thousands to evacuate and, in some cases, caused deaths, and they come on the heels of scorching temperatures that have engulfed much of Southern Europe this summer. 

Climate change has made extreme heat a fixture of the warmer months in Europe, but experts say that the continent has failed to significantly adapt to the hotter conditions. Governments in many countries are now struggling to address the devastating effects. 

“The extreme weather conditions across Europe continue to be of concern,” Roberta Metsola, the president of the European Parliament, wrote on the social media platform X, formerly known as Twitter. “The EU is showing solidarity with all those in need.”
Deadly Floods in Slovenia Heavy rains in recent days have led rivers to overflow across Slovenia in what the authorities there said was the worst natural disaster since the country’s independence in 1991. 

At least six people have died, according to the Slovenian news agency STA, and thousands have been forced to flee their homes to escape the floods. Several countries have tried to help, with France and Germany sending equipment such as prefabricated bridges, and even Ukraine, in the middle of a war with Russia, promising to send a helicopter. A flooded area in the northern Slovenian town of Crna na Koroskem on Sunday.

Entire villages have been left underwater, and huge rivers of mud have filled roads and sports fields and flowed below collapsed bridges, with cars stuck in the debris of landslides caused by the flooding. Ursula von der Leyen, head of the European Commission, the European Union’s executive arm, said she would travel to Slovenia on Wednesday. Floods have also been reported in Austria, Slovenia’s northern neighbor, killing at least one person, according to the Austrian chancellor, Karl Nehammer.

Wildfires in Cyprus, Italy and Portugal Hundreds of firefighters were continuing to battle rural wildfires in Portugal on Tuesday. The blazes have prompted the evacuation of more than a thousand locals and tourists, and several firefighters have been injured while tackling the flames. The risk of fire in the past few days was at the highest level in large parts of the country, with strong winds and temperatures above 104 degrees Fahrenheit. Portugal has struggled with wildfires various times in recent years. Blazes killed more than 60 people in 2017.
A tractor cleaning up land during a wildfire in Aljezur, Portugal, on Monday.Credit...Pedro Nunes/Reuters 

Elsewhere, the European Union has sent firefighting planes to assist with efforts to tackle wildfires burning on Cyprus in recent days; Greece, which has also been plagued by wildfires this summer, has sent liquid flame retardant to the island to help. Israel has also provided aid, including firefighting planes, a crew of four pilots and ground crews. Jordan and Lebanon also sent support. Hundreds of people have also been evacuated on the Italian island of Sardinia, a popular tourism destination, after fires burned across large areas in recent days. 

Torrents in Norway and Sweden Heavy rains have been recorded in the two Nordic countries this month, causing the derailment of a train on Monday that left three people injured in eastern Sweden. The police said that the deluge had undermined the embankment where the accident occurred, causing it to collapse. More downpours were expected in both countries in the coming days. 

The Swedish meteorological and hydrological institute said that the amounts of rain that have fallen were unusually high for August in many locations. “Quite a few places have received more rain in one day than you normally get in the entire month of August,” said Ida Dahlstrom, a meteorologist with the Swedish meteorological institute. She added that the city of Lund, in Southern Sweden, had not received so much rain in one day for more than 160 years. 

The institute issued red alerts — the highest level of flood warning — for some areas of Sweden on Monday night and said that copious amounts of rain forecast in the south of the country could send water in streams and ditches to extremely high levels. The stormy weather has heralded not only heavy rain but also uncharacteristically high temperatures, with the town of Haparanda, in northern Sweden, reaching a balmy 86 on Tuesday, its highest temperature for August since 1969.
A stream overflowed its banks on Tuesday in Gran, Norway. Credit...Stian Lysberg Solum/NTB Scanpix, via Associated Press Christina Anderson contributed reporting. Emma Bubola is a reporter based in London. More about Emma Bubola - Nytimes.com

Sunday, July 9, 2023

The planet heats, the world economy cools – the real global recession is ecological

  Theguardian.com

Governments focus on the climate when they have few other economic worries. That can no longer be the case


 The recent Canadian forest fires led to the economic powerhouse of New York City being choked in a noxious orange smog. Photograph: Noah Berger/AP

 

First it was the pandemic. Then it was the war in Ukraine. Next it could be the climate crisis.

On Monday last week the world registered its hottest-ever day but the record lasted only 24 hours before it was beaten by an even more sizzling Tuesday. And while the temperature continues to warm up the global economy continues to cool down.

Germany is already in recession and plenty of other developed countries – including the UK – seem to be heading in that direction. China’s post-lockdown recovery has petered out, the US jobs market seems to be cooling in response to higher interest rates.

 

The combination of weak activity and the increasing number of extreme weather events is worrying. Normally, pressure on the environment intensifies during booms, which is why there were big surges in support for the green movement in the early 1970s, the late 1980s and the period immediately before the global financial crisis of 2008.

If, as seems likely, there will be no letup in global heating despite slower growth, that’s a real concern. The US economy may technically avoid falling into recession, but the fact that the recent Canadian forest fires led to New York City being choked in a noxious orange smog speaks of a planet heading for a catastrophic slump. In a sense, the real recession is the ecological one.

Generally, governments focus on the future of the planet when they feel they have nothing much else to worry about. That, at least, has been the record until now. Recessions – and even the threat of recessions – have the effect of making policymakers focus on the short term. Stretched public finances coupled with the desire to remain popular engenders a growth at all costs mentality. Fears are now surfacing about the costs of the transition to a cleaner, less carbon-intensive economy, particularly on those least able to bear them.

Make no mistake, some of these concerns are legitimate. Heat pumps are expensive. Electric cars are only seen in the driveways of the better off. Fossil fuels now make up three-quarters of the UK’s energy mix and ending that dependency will be neither quick nor easy.

In the current circumstances, politicians think they have more pressing matters to deal with than hitting net zero goals. Action to tackle the climate emergency can be put off to another day when, fingers crossed, science and market forces will come up with a solution that will allow us all to consume as much as we like without destroying the planet.

This may be shortsighted. It may be dumb thinking. It no doubt infuriates the Just Stop Oil protesters who have made their presence felt at Lord’s and Wimbledon in recent days. But for those in positions of power, the temptation to delay action remains strong. Rishi Sunak’s plan to renege on the government’s £11.6bn pledge to help poor countries deal with climate change is a case in point. It would be an act of betrayal but one sadly in keeping with the prime minister’s lack of interest in the net zero agenda.

It would be wrong to assume it is only the politicians who are at fault. Our political masters respond to the signals they get from voters, and the message is by no means as clear-cut as those urging more drastic action on the climate emergency would hope. In part, that’s due to the cost-of-living crisis, but it goes deeper than that.

Many support football teams sponsored by fossil fuel interests and the fans really don’t care if the new star striker is being bought with dirty Middle East oil money so long as he scores plenty of goals. People worry more about the future of the planet than they did when Fritz Schumacher wrote Small is Beautiful half a century ago, but what they really want is a painless transition that doesn’t force them to stop doing the things they like, such as driving to see friends and relatives or jetting off for a holiday abroad.

There is still time to step back from the edge of the abyss. For a start, the green movement needs to heal the divide between those backing no growth and those favouring sustainable growth, and focus on the real enemy: a form of capitalism that is eating itself.

Friday, January 6, 2023

Martianization, Falta de neve para esqui na Europa, compensada com neve artificial, é novo alerta da crise climática

 


Teleférico parado na estação de esqui Le Semnoz, perto de Annecy, em 27 de dezembro de 2022, uma das estações fechadas pela falta de neve — Foto: AFP - JEFF PACHOUD


Por Lúcia Müzell, RFI

Depois de dois anos marcados pela Covid-19, os europeus estavam ansiosos para retomar a frequentação normal das estações de esqui nas férias de fim de ano em dezembro – mas a desregulação do clima atrapalhou os planos. Sem neve, metade das pistas na França estiveram fechadas no fim do ano, e uma parte considerável das que puderam abrir só funcionaram graças ao uso de neve artificial.

O país, assim como os vizinhos alemães ou austríacos, viveu uma rara onda de calor no período. “Nós ultrapassamos índices recordes em várias regiões da França e do leste da Europa, principalmente nos dias 31 de dezembro e 1° de janeiro, datas simbólicas. As temperaturas estavam de 1°C a 2°C acima do normal, e chegaram a passar de 22°C no sudoeste francês – mas também na região central, no norte, no leste, as temperaturas chegaram a números totalmente excepcionais para a estação”, explica o climatologista Robert Vautard, diretor do Instituto Pierre-Simon Laplace (IPSL), que reúne especialistas das ciências climáticas.



As altas temperaturas, associadas à chuva também atípica, levaram ao derretimento da pouca neve que cobria as estações em baixa e média altitude, como em Mont Dore, no centro da França, onde a decoradora Amandine Pernelle tinha escolhido passar as férias com a família. No local, uma camada de neve de cultura (fabricada a partir da pulverização de água) havia sido aplicada em novembro, à espera dos primeiros flocos da temporada, no início de dezembro. Mas com os termômetros subindo a mais de 10°C, só as crianças puderam aproveitar.

“Estou acostumada com a neve artificial. Sempre que eu fui esquiar, tinha na parte baixa das estações, então isso não me choca. E sem contar que, para o clima, é melhor ficar na França e esquiar na neve artificial que pegar avião em busca de calor nos trópicos”, comenta a francesa.

FALTA DE NEVE PREJUDICA ATIVIDADE ECONÔMICA E TURISMO NAS MONTANHAS, ALÉM DE ATINGIR NATUREZA COMO UM TODO E, EM ESPECIAL, AGRICULTURA.CADA VEZ MAIS NEVE ARTIFICIAL

O recurso à neve de cultura é recomendado para prorrogar a duração da neve natural que cairá nos meses frios – e que, segundo os especialistas, tende a se tornar mais rara. A prática é comum nos países europeus e se tornou indispensável a partir dos anos 2000, com a subida progressiva das temperaturas devido às mudanças climáticas.

Entretanto, os ecologistas criticam o alto volume de água utilizada para ser transformada em neve: 1m³ de água resulta no dobro de neve artificial, num total de pelo menos 20 milhões de metros cúbicos de água usada por ano para este fim, na França. Hoje, mais de um terço das pistas francesas e a metade ou mais das suíças e austríacas usam essa solução, principalmente a menos de 1,5 mil metros de altitude.“A água é retirada do meio natural na primavera quando é abundante. Se ela não é recuperada após o derretimento da neve e estocada em lagos artificiais, ela seria perdida”, rebate Jean-Luc Boch, presidente da France Montagnes, que reúne os principais organismos de turismo nas montanhas da França. “Essa água correria pelos riachos, depois nos rios, afluentes e enfim no Mar Mediterrâneo. Estocá-la no momento em que ela é muito abundante significa poder devolvê-la para todo o nosso território, lembrando que ela também pode servir para consumo humano e animal, se necessário”, afirma.


Incertezas sobre o futuro

Boch ressalta que ainda “há muita variação” entre os anos e “não há certezas absolutas” sobre o futuro: o inverno com mais neve em décadas ocorreu há cinco anos, relembra. Mas outro ator importante do setor, o secretário-geral do Domaines Skiables de France, Laurent Reynaud, analisa a situação com mais cautela e diz que o tema “é levado muito a sério”.

“Sabemos que, no futuro, deveremos enfrentar uma incerteza ainda maior sobre a ocorrência de neve e também sobre a cobertura de neve, principalmente nas estações de baixa altitude. Cada uma delas vai precisar elaborar um planejamento para os 15, 20, 50 ou 80 próximos anos. Essas projeções já existem e foram determinadas pelo IPCC [Painel da ONU de cientistas especialistas nas mudanças climáticas]”, indica Reynaud.

As estações mais vulneráveis são estimuladas a diversificar as atividades, de modo a atrair turistas durante todo o ano, com foco não só no inverno, mas também no verão. Quanto ao uso da neve artificial, Reynaud destaca que a transição ecológica também está em curso no setor.



“Hoje, em todos os processos industriais, teremos medidas de sobriedade energética e eco-concepção, para conseguirmos aproveitar ao máximo um litro de água ou 1kw/h. Dividimos por três o consumo elétrico necessário nos compressores de água, para a produção de um metro cúbico de neve, e conseguimos reduzir 10% do consumo de eletricidade dos teleféricos, responsáveis pela maior parte do consumo elétrico nas estações”, pondera o representante das pistas de esqui francesas.

Falta de neve na primavera gera prejuízos agrícolas

O climatologista Robert Vautard observa ainda que a falta de neve prejudica a atividade econômica e o turismo nas montanhas, mas também atinge a natureza como um todo e, em especial, a agricultura.

“Organismos que criam doenças nas árvores e plantas são eliminados no inverno, com o gelo. Sem frio, eles acabam se reforçando na primavera e isso altera a produção agrícola, em especial de frutas”, aponta o especialista em fenômenos meteorológicos extremos. “O fato de que a vegetação começa mais cedo do que o previsto faz com que os brotos fiquem expostos a eventuais geadas em abril. É um fenômeno em que todo ciclo da natureza começa mais cedo porque está quente demais.”

Por essa razão, graves prejuízos agrícolas têm sido frequentes no país: aconteceram em 2022, 2021 ou 2017, relembra o pesquisador. Este mês de janeiro já se anuncia mais seco que os padrões, o que pode ser um indício de mais um ano marcado por temperaturas em alta.

“De forma geral, se observarmos as variações das temperaturas em 2022 na França, em relação aos padrões, há muito poucos episódios – apenas três ou quatro, e muito curtos – em que as temperaturas estiveram abaixo do normal. Em todas os outros, elas estiveram acima”, destaca Vautard. “É claro que sempre teremos variações meteorológicas, mas nos próximos anos, devemos esperar a mesma tendência de alta verificada em 2022.”

O pesquisador frisa ainda que seria um erro comparar este início de inverno ameno na Europa com as nevascas que atingiram os Estados Unidos no mesmo período. Na América do Norte, explica, as variações de temperaturas sempre foram “extremamente fortes” e mais intensas que no continente europeu, e não são uma consequência das mudanças climáticas, mas sim da geografia.

Enquanto as massas de ar frio que descem do Midwest americano não encontram uma zona marítima que amenizaria a temperatura, este não é o caso em países como a França, onde os Alpes são influenciados pelo clima mediterrâneo

Tuesday, October 18, 2022

Nigeria floods: 'Overwhelming' disaster leaves more than 600 people dead




By Ishaq Khalid & Elsa Maishman
BBC News, Abuja & London

Recent flooding in Nigeria has become an "overwhelming" disaster, and many states were not properly prepared for them despite warnings, the minister for disaster management has said.

More than 600 people have died in the worst flooding the West African nation has seen in a decade.

Some 1.3 million people have been displaced, and more than 200,000 homes have been destroyed.

Flooding is expected to continue until the end of November.

Nigeria is used to seasonal flooding, but this year has been significantly worse than usual.

The government has said unusually heavy rains and climate change are to blame.

 The emergency release of excess water from dams both in Nigeria and in neighbouring Cameroon was another key factor causing devastating flooding.

Experts also say poor planning and infrastructure have exacerbated the damage.


Since the flooding began in early summer, large swathes of farmland have been destroyed.

There are concerns about increased spread of disease, and food and fuel supplies have also been disrupted.

In a press conference on Sunday, Nigeria's minister for humanitarian affairs and disaster management, Sadiya Umar Farouk, called on local authorities to evacuate people living in the most high-risk areas.

Authorities are already providing food and other support to those affected, she said.

She added that despite ''concerted efforts'' and early warnings, many state governments "did not prepare" for the flooding.

The disaster has affected 27 of Nigeria's 36 states.

Part of the problem is that people return to their homes on flood plains each year after the water levels subside.

Many do not have the means to relocate.

Nigeria's economy has been battered in the past year, with inflation at an all-time high and many communities struggling to cope.

The World Food Programme and the UN's Food and Agriculture Organisation said last month that Nigeria was among six countries facing a high risk of catastrophic levels of hunger.

Nigeria's meteorological agency has warned that the flooding could continue until the end of November in some states in the south of the country, including Anambra, Delta, Rivers, Cross River and Bayelsa.

Saturday, August 13, 2022

Martianization - Brazil - Taxa de desmatamento na Amazônia ainda é alarmante, dizem EUA




Governo Biden diz que vai trabalhar com setor privado e povos indígenas pela preservação no Brasil

 

Thiago Amâncio

WASHINGTON

As taxas de desmatamento da Amazônia "ainda são alarmantes e exigem atenção redobrada e ação reforçada" do governo, disse o Departamento de Estado dos Estados Unidos nesta sexta-feira (12), após a divulgação dos dados mais recentes do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Os números apontam que, de agosto de 2021 até julho de 2022, foram derrubados 8.590,33 km² do bioma, o equivalente a mais de cinco cidades de São Paulo. O novo dado só fica atrás dos períodos de 2019-2020 e de 2020-2021, respectivamente o primeiro e o segundo ano com maiores desmates, segundo o Deter.

O Deter não tem a função de mensuração precisa de desmatamento. Para isso, o Inpe conta com o Prodes, sistema com maior precisão que divulga os dados de desmate —computados sempre de agosto de um ano a julho do ano seguinte— nos últimos meses do ano. Mesmo assim, a partir do Deter, cujo objetivo primário é o auxílio a operações de combate ao desmate, é possível ver se há tendências de queda, manutenção ou aumento de destruição.

 




À Folha, o Departamento de Estado afirmou que os EUA "continuarão a trabalhar" com partes interessadas na preservação da floresta, "inclusive no setor privado, sociedade civil, povos indígenas e governos subnacionais" na conservação e restauração de florestas, além de "incentivar o governo a implementar políticas" para cumprir os objetivos acordados na COP26, entre os quais acabar com o desmatamento ilegal até 2028 e reduzir as emissões de poluentes em 50% abaixo dos níveis de 2005 até 2030.

"Saudamos as metas ambiciosas anunciadas pelo governo brasileiro na COP26 e em outros fóruns internacionais. O foco agora mudou para a implementação desses objetivos."

"Também estamos aumentando nosso foco em apoiar os esforços de fiscalização do Brasil para combater o desmatamento ilegal. Estamos ansiosos para saber mais sobre os esforços do governo do Brasil para reduzir o desmatamento à luz dos números mais recentes", disse o órgão.

O compromisso com as pautas de preservação ambiental foi um dos principais pontos de tensão entre os governos Jair Bolsonaro e Joe Biden, com o democrata e correligionários criticando o mandatário brasileiro pelo pouco apreço à pauta ambiental.

Os números divulgados nesta sexta deixam ainda mais consolidados os patamares altíssimos de desmatamento alcançados durante o governo Bolsonaro.

Só no ciclo mais recente (agosto/21 até julho/22) foram cinco meses com os números mais elevados de destruição já vistos para aqueles meses: outubro (876,56 km²), janeiro (430,44 km²), fevereiro (198,67 km²), abril (1.026,35 km²) e junho (1.120,2 km²).

Levando em conta dados do Deter, já foram derrubados mais de 31 mil km² de Amazônia desde o início do governo Bolsonaro, em 2019. Isso equivale a, aproximadamente, mais de 720 km² de floresta indo ao chão mensalmente, o que representa mais de 450 parques Ibirapuera destruídos todo mês.

O valor é consideravelmente superior ao que se via em mandatos presidenciais anteriores. De agosto de 2015 (início do novo Deter) até o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) pela abertura do processo de impeachment, em maio de 2016 (nove meses), foram derrubados cerca de 364 km² de Amazônia por mês.

Nos 32 meses do governo de Michel Temer (MDB), já levando em conta os meses de afastamento de Dilma, foram desmatados cerca de 420 km² de Amazônia por mês.

Bolsonaro chegou também a desautorizar operação de combate ao desmate em andamento. No primeiro ano de governo, conforme dados do Deter apontavam uma disparada na destruição, o presidente questionou a qualidade do trabalho do Inpe, afirmando que o então diretor do instituto, Ricardo Galvão (agora pré-candidato a deputado federal pela Rede Sustentabilidade), poderia estar a "serviço de alguma ONG". Galvão respondeu ao ataque sofrido e acabou deixando o Inpe.



 

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