Friday, October 27, 2023

Brazil - Martianization - Seca no Amazonas compromete transporte de produtos e ameaça descontos da Black Friday - CNN

 



A seca prolongada nos rios da Amazônia tem castigado moradores da região e atrapalhado transporte de produtos da Zona Franca de Manaus a outras áreas do país. E essa dificuldade pode impactar os descontos da Black Friday deste ano.





Com a estiagem, os níveis dos rios diminuíram significativamente, o que torna mais difícil — ou até impossível — para embarcações de grande porte, como barcaças, transportar produtos para dentro e fora do polo.

Como resultado, podem ocorrer atrasos no transporte, além da cobrança de custos adicionais.

Rodrigo Bandeira, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm), explica que existem alternativas de transporte que garantem o abastecimento das lojas para a Black Friday, como o rodoviário. Porém, o custo é mais elevado — e pode ser repassado ao consumidor final.

“A gente pode esperar uma Black Friday diferente com relação a descontos para esses produtos, mas há outras categorias que estão ganhando relevância e que ajudam a compor esse ‘bolo’, cada um na sua fatia”, analisa.

Bandeira destaca que não há risco de desabastecimento. “Quem está no jogo certamente já tomou as providências para que não faltem produtos”, acrescenta.

O especialista avalia que os problemas não se restringem aos preços dos produtos, mas também ao cenário macroeconômico.

“A partir do momento que você tem uma questão como essa, você vai ter um problema que pode impactar outras empresas, como de transporte e logística, inclusive com demissões […] O varejo precisa de pessoas empregadas que consigam consumir para fazer a roda girar”, afirma.

A Zona Franca de Manaus fabrica eletrodomésticos, veículos, motocicletas, TVs, celulares, bicicletas, aparelhos de ar-condicionado, computadores, entre outros produtos considerados “queridinhos” da Black Friday, que acontece no próximo dia 24 de novembro.

Ulysses Reis, professor de varejo da Strong Business School, afirma que, além do transporte rodoviário, o entrega de produtos em períodos de seca muitas vezes é feito com auxílio de um prático — profissional que auxilia navios a passarem por águas restritas.

“O problema é que o preço do serviço aumentou assustadoramente. Hoje as viagens chegam a custar R$ 800 mil com o uso dessa mão de obra. Esse valor é chamado ‘taxa da seca’, neste caso. Além disso, o tempo de transporte se multiplicou por 5, ou seja, de 5 dias passou para 25”, diz.

Ulysses destaca que a maior parte dos produtos que devem ser vendidos na Black Friday já foram comprados pelos varejistas, e que parte significativa deles já está em posse das transportadoras ou em depósitos.

Ele garante que não deve haver desabastecimento total de produtos. “Isso vai afetar talvez 30% ou 20% da quantidade que vem da Zona Franca. O problema é que vai haver no Natal, porque a segunda leva de produtos vai ficar realmente comprometida”, afirma.

Os produtos chamados “linha branca”, que incluem, principalmente, geladeiras, fogões e máquinas de lavar roupas, devem ser os que terão menor oferta de descontos.

“Os custos altos de logística e transporte, por mais que os produtos já tenham sido comprados, vão ser agregados de alguma forma. Ou seja, não podemos esperar, pelo menos do material que vem da Zona Franca de Manaus, grandes descontos. Deve haver descontos, mas não devem ser os melhores que já aconteceram até hoje”, conclui.

Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, concorda que a seca deve afetar o fluxo para o varejo, mas também não enxerga a possibilidade de desabastecimento.

O especialista explica que o varejo, de forma geral, vem mantendo negociações com os fabricantes para garantir a disponibilidade dos produtos mais procurados, mas conscientes que a disponibilidade não será plenamente atendida.

“Obviamente essas relações são mais tensas porque se coloca a questão de precedência, isto é, relações mais próximas ou mais distantes com os fornecedores. Entretanto, não há uma expectativa exacerbada de vendas nessa próxima Black Friday”, analisa.

Black Friday mudou hábito dos brasileiros

O professor Ulysses Reis explica que a Black Friday tem crescido ano após ano desde sua estreia no Brasil, em 2011, e isso se deve a uma série de fatores.

“O primeiro fator é que o hábito do brasileiro é mudou com relação à Black Friday, que se tornou não apenas uma liquidação, mas uma antecipação de compras dos produtos que são vendidos no Natal”, afirma.

O professor destaca ainda que, em média, a cada 4 produtos comprados no período de Natal, 1 é uma espécie de “presente” que o consumidor compra para ele próprio.

“É um tipo de teoria do ‘eu mereço’, ou seja, ‘passei o ano inteiro trabalhando, então eu mereço’”, conclui.

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Tuesday, October 17, 2023

Brazil - Seca no Amazonas: Rio Negro atinge menor nível em 121 anos

 






O Serviço Geológico do Brasil alerta que os impactos da seca devem ser sentidos até o próximo ano e afetam diretamente as populações ribeirinhas e a economia regional

O Rio Negro, do Amazonas, atingiu 13,59 metros — o menor nível em 121 anos, quando as medições começaram a ser realizadas, em 1902. O menor registro desde então tinha sido captado em 24 de outubro de 2010. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (16/10), pelo Porto de Manaus. O estado passa por uma seca história, com impacto na distribuição de alimentos e água. Além da estiagem, Amazonas também vive uma onda de queimadas.

O Serviço Geológico do Brasil alerta que os impactos da seca devem ser sentidos até o próximo ano. "Os níveis dos rios muito baixos e consequentemente suas vazões reduzidas tem potencial de gerar diversos impactos na região, por exemplo sobre: abastecimento; navegação; estabilidade geológica local, em razão dos fenômenos de terras caídas ocasionados pela diminuição muito rápida dos níveis de águas; e processos ecológicos, levando à mortandade de peixes em razão do reduzido espaço para circulação, elevação da carga orgânica e também das temperaturas das águas", diz a empresa governamental, vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

Ainda segundo o órgão, esses impactos afetam diretamente as populações ribeirinhas e a economia regional. O governo do Amazonas tem adotado uma série de ações emergenciais para acolher a população e minimizar os danos. Entre as providências já adotadas pela Defesa Civil do estado estão a capacitação de agentes municipais e estaduais, entrega de purificadores coletivos de água, emissão de alertas e orientações para a população e demais entes públicos.

Monday, October 2, 2023

Brazil - El Niño e mudanças climáticas afetam safras e dificultam previsão para agricultura em 2024



El Niño provoca muita chuva no Sul e deixa tempo seco no Norte e Nordeste

James Baltz/ Unsplash

Amanda Sampaioda CNN em São Paulo


Primavera será marcada por muita chuva na região Sul e pancadas irregulares no Sudeste e Centro-Oeste.

Os últimos meses — atípicos em relação às condições meteorológicas — devem afetar as safras de diversos cultivos, além de dificultar as projeções para a agricultura em 2024.

A meteorologista Desireé Brandt, da Nottus, explica que, além das anormalidades no curto prazo, as mudanças climáticas em nível global também têm afetado o regime de chuvas no Brasil, o que prejudica os trabalhos agrícolas.

“Nós temos um El Niño, e por conta das mudanças climáticas, os efeitos dele podem ser ainda mais fortes, ainda mais evidentes”, afirma.


Impacto negativo na agricultura

Esta semana, está previsto o término do vazio sanitário no Rio Grande do Sul — período em que é proibido cultivar plantas vivas.

Quando o período se encerra, os agricultores costumam dar início ao plantio de grãos.

“Mas quem é que vai plantar soja agora, no meio do caos que o Rio Grande do Sul está? Existem muitas áreas de cultura de inverno que foram afetadas pelas chuvas das últimas semanas, principalmente. Tem muita lavoura debaixo d’água”, destaca Desireé.

A meteorologista explica que o processo de recuperação das lavouras de inverno acaba prejudicando o início do plantio da soja.

“Algumas áreas do noroeste do Rio Grande do Sul até vão conseguir começar esse plantio, mas as que foram mais prejudicadas pelo excesso de chuva ainda terão uma certa dificuldade”, avalia.


Primavera terá muita chuva no Sul

Ao longo da primavera, a expectativa é de muita chuva no Rio Grande do Sul, o que é comum para esta época do ano.

No entanto, os efeitos do El Niño devem piorar este cenário e provocar chuva acima da média para o período no estado.

“Sim, já choveu muito; sim, o Rio Grande do Sul está debaixo d’água, e sim, ainda tem muita água para cair, e muitas vezes na forma de tempestades, com ventania, com descargas elétricas e com alto risco para queda de granizo”, alerta a meteorologista.

Desireé explica que, neste momento, o grande desafio do estado gaúcho é enfrentar o excesso de chuva, o que atrapalha o manejo e o preparo do solo, além dos trabalhos em campo de forma geral.

“Além disso, mesmo que a lavoura não esteja debaixo d’água, se temos poucas horas de luminosidade, isso também acaba prejudicando a qualidade dessas lavouras. A planta precisa, sim, de água, mas ela também precisa de temperatura adequada e da quantidade de luz solar ideal para que a lavoura tenha melhor qualidade”, explica.

Já para as regiões Norte e Nordeste, que costumam sofrer com a seca em períodos de El Niño, os modelos de previsão do tempo não indicam seca severa, assim como as que ocorreram nos anos de 2015 e 2016.

Apesar disso, os trabalhos de agricultura também devem ser desafiadores nessas regiões.

Algumas áreas do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) terminam o vazio sanitário neste fim de semana. Porém, na contramão da região Sul, o solo está extremamente seco nessas localidades, o que também dificulta os trabalhos de plantio.

“O início do plantio da safra de verão vai se dar de forma bem escalonada — conforme a chuva vai chegando, vai ocorrendo o plantio, exceto em áreas que têm sistema de irrigação. Agora, onde não tem, o solo está extremamente seco. É uma das áreas com solo mais seco do Brasil neste momento”, diz Desireé.

A meteorologista afirma que a chuva um pouco mais expressiva só deve acontecer — e de forma gradual — a partir da segunda quinzena de outubro.


Já no Sudeste e no Centro-Oeste, a primavera terá cara de verão, com muitos dias de sol pela manhã, calor e chuva à tarde.

“Claro que vez ou outra a gente vai ter dias com maior quantidade de nuvens, até com alguns episódios de chuva, mas já vai ser bem mais raro isso. Na maioria das vezes, a chuva virá na forma de pancada”.

No entanto, Desireé destaca que, para a agricultura, mais importante do que a quantidade de chuva é a qualidade da precipitação nessas regiões.

“O que importa é como que essa chuva vai acontecer. Em algumas localidades, o modelo [de previsão] até indica a chuva acima da média, mas se ela vier na forma de pancada rápida, ou se chover num canto da Fazenda e no outro não, será uma chuva mal distribuída”, explica.

Para a meteorologista, a qualidade da chuva é o grande desafio das duas regiões.

“Vai faltar chuva? Não, não vai faltar. Mas como eu falei: este é o desafio do Sudeste e do Centro-Oeste”, conclui.


Conab prevê queda na produção do milho

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê que a safra de milho caia em 9,1% em relação ao ciclo anterior, com estimativa de 119,8 milhões de toneladas.

Os valores são consequência de uma redução de 4,8% na área plantada, que abrange 21,2 milhões de hectares, além de retração de 4,6% nas produtividades esperadas, após os recordes de 2022/23.

Por outro lado, apesar da previsão de chuvas intensas na região Sul, a Conab estima que a produção de soja no Brasil para o período 2023/24 atinja um recorde de 162,4 milhões de toneladas. O valor representa aumento de 5,1% em relação à safra anterior.

A estimativa foi impulsionada pelo crescimento de 2,8% na área de plantio, que abrange 45,3 milhões de hectares — aumento de 2,2% na produtividade, com 3.585 quilos por hectare.

Já para o arroz, a Conab prevê aumento de 12,8% no volume nacional, totalizando 11,3 milhões de toneladas. Além disso, a área plantada do grão deve se expandir em 10,2% na próxima safra, com incremento de produtividade de 2,4%.

Friday, September 29, 2023

The Morning: ‘The mosquitoes are winning’

 


By David Leonhardt nytimes.com


Good morning. We’re looking at a worrisome turnabout in the global battle against mosquitoes.



A malaria-carrying mosquito breeds in water cisterns.Tiksa Negeri for The New York Times


Progress no more

When my colleague Stephanie Nolen began working on an article earlier this year about new technologies to fight mosquito-borne diseases, she assumed she would be writing a story of continued progress.

For much of the past two decades, those diseases have been receding, thanks to mosquito nets, insecticides and billions of dollars of funding from governments and philanthropies. Between 2000 and 2019, for example, global malaria deaths fell more than a third.

“But it only took a couple of calls to realize that there was way more going on in the world of mosquitoes than I had realized,” Stephanie told me this week. “I was a bit taken aback, as a global health reporter who has been writing about malaria for 25 years, to realize that the common public narrative of a straightforward trajectory of progress against the disease is inaccurate.”



Catching mosquitoes in a goat shelter.Tiksa Negeri for The New York Times.

Over the past year, she has traveled to six countries, studied data, waded through swamps in Kenya, crawled into goat sheds in Ethiopia and learned how to suck a mosquito into a glass vial — as researchers do so they can study it alive. The result is a series of alarming stories that The Times published this morning.

The mosquito already kills more people every year than any other creature does, and the toll is rising. Malaria deaths rose about 8 percent between 2019 and 2021, the first increases in decades.





Two big causes

The toll is rising for two main reasons. First, mosquitoes have evolved to elude strategies that were once working against them. The increasing use of bed nets has led to a decline in the population of mosquitoes that tend to live indoors — but mosquitoes that thrive outdoors have increased in number, and bed nets can’t fight them so easily. Mosquitoes have also evolved to become more resistant to current insecticides.

Second, climate change has expanded the areas where the weather is warm enough for the most dangerous species of mosquitoes — those that carry deadly diseases — to thrive. Dengue, which used to be a purely tropical disease, has moved into Florida and France. This past summer, a small number of malaria cases spread in Texas, Florida and Maryland, the first local transmissions of the disease in the U.S. in 20 years.

“It seems as though the mosquitoes are winning,” Eric Ochomo, a mosquito-fighting scientist in Kenya, told Stephanie.

One problem, many experts believe, is that the World Health Organization and other regulators are slow to approve new insecticides and other preventive measures. These agencies typically wait for years of evidence to accumulate before approving new mitigation strategies, but people are dying in the meantime. The situation reminds me of the C.D.C.’s struggles to provide timely, clear help during the Covid pandemic, be it with masks, tests or behavioral guidance. Public health crises don’t operate on the same timetable as academic journals.

You can read Stephanie’s overview here — as well as a second story about a new malaria-carrying mosquito that’s threatening some of Africa’s largest cities.


Wednesday, September 13, 2023

Chevron assume controle da maior planta de hidrogênio verde do mundo

 


Projeto desenvolvido pela ACES deverá entrar em operação em 2025, com capacidade de produzir mais de 300 gigawatts hora de energia limpa

Por  Bloomberg 

A Chevron vai se tornar acionista majoritária do projeto da maior planta de hidrogênio ‘verde’ do mundo. O movimento reforça a busca das grandes petroleiras em investir em teses ligadas à transição energética. Nesta terça-feira (12), a Chevron New Energies comprou uma participação de 78% no projeto Advanced Clean Energy Storage (ACES) em Utah, da Haddington Ventures, uma empresa de capital privado com sede em Houston. Os termos do acordo não foram divulgados.

O local fornecerá inicialmente mais de 300 gigawatts hora de energia limpa para o oeste dos EUA e ajudará a estabilizar a rede quando a geração eólica e solar apresentarem instabilidades. A ACES garantiu um empréstimo de US$ 504 milhões junto ao Departamento de Energia dos EUA (DOE, em inglês) no ano passado e está atualmente em desenvolvimento. A conclusão da obra está prevista para meados de 2025.

O investimento sinaliza que as grandes petrolíferas estão empenhadas em projetos que visam reduzir as emissões de carbono fora dos seus negócios tradicionais. No início deste ano, a Exxon Mobil comprou a maior rede de gasodutos de CO2 nos EUA, enquanto a Occidental Petroleum está a construindo a maior fábrica do mundo para remover dióxido de carbono diretamente da atmosfera.

 A Chevron planeja gastar US$ 10 bilhões em investimentos de baixo carbono ao longo de oito anos, tanto na redução das suas próprias emissões como na expansão da produção de energia limpa. Para a petroleira, o investimento na ACES proporciona uma “plataforma de crescimento para o futuro” que poderá ver o hidrogênio ser utilizado para geração de energia, transporte pesado ou mesmo substituir o hidrogênio baseado em combustíveis fósseis nas suas próprias refinarias, disse Austin Knight, vice-presidente da Chevron New Energies.

 

A Chevron fará parceria com a Mitsubishi Power Americas no projeto ACES, com a empresa japonesa preparada para construir a turbina que usará o hidrogênio armazenado para produzir eletricidade que poderá ser enviada para lugares tão distantes quanto a Califórnia. O hidrogênio será usado para abastecer uma turbina a gás híbrida de ciclo combinado de 840 megawatts que está sendo construída para substituir uma usina de energia a carvão de 1.800 megawatts.

Muitas empresas estão a procurar o hidrogênio como ferramenta de descarbonização porque pode ser extraído da água utilizando energia renovável sem produzir gases com efeito de estufa. Quando queimado em uma turbina, o hidrogênio não emite dióxido de carbono. Mas a maior parte do hidrogênio utilizado hoje em dia é extraído do gás natural num processo que emite carbono e muitos ambientalistas encaram o hidrogênio com suspeita, vendo-o como uma forma de as grandes empresas petrolíferas continuarem a utilizar combustíveis fósseis.

O hidrogênio é “abundante, versátil, é um transportador de energia com baixo ou nenhum carbono e pode ser produzido a partir de múltiplas fontes”, disse Jeff Gustavson, presidente da Chevron New Energies. “O hidrogénio pode ser armazenado em grandes quantidades, que é exatamente o que este projeto será capaz de fazer, e pode ser dimensionado.”

 

Tuesday, September 12, 2023

Tempestade deixa 2.000 mortos, 10.000 desaparecidos e cria “cidade fantasma” na Líbia


 

 

Número de mortos por tempestade na Líbia sobe para 5.200. 

 

Tempestade Daniel cruzou o Mediterrâneo e causou enchentes na Líbia Reuters 

 

Hamdi AlkhshaliMostafa SalemKareem El Damanhouryda CNN

 

Cerca de 2.000 pessoas morreram e 10.000 estão desaparecidas após as chuvas provocadas pela tempestade Daniel causarem o rompimento de duas barragens no nordeste da Líbia, fazendo com que a água fluísse para áreas já inundadas.

“O número de mortos é enorme e cerca de 10.000 estão desaparecidos”, disse Tamer Ramadan, chefe da delegação da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (FICV) na Líbia, durante uma conferência de imprensa em Genebra, nesta terça-feira (12).

Cerca de 6.000 pessoas estão desaparecidas só na cidade de Derna, disse Othman Abduljalil, ministro da Saúde do governo apoiado pelo parlamento oriental da Líbia, à TV Almasar da Líbia.

 

Abduljalil, ministro da Saúde do governo apoiado pelo parlamento oriental da Líbia, visitou Derna, a cidade mais atingida do país, na segunda-feira (12), descrevendo partes dela como uma “cidade fantasma”.

“A situação [em Derna] era catastrófica. Os corpos continuam espalhados em muitos lugares”, disse Abduljalil à TV Almasar da Líbia.

“Há famílias ainda presas dentro de suas casas e há vítimas sob os escombros. Presumo que as pessoas tenham sido arrastadas para o mar e amanhã (terça-feira) de manhã encontraremos muitas delas”, disse ele.

Derna é apenas uma área afetada pelas inundações que varreram várias cidades no nordeste do país, na costa do Mar Mediterrâneo.

A chuva é o resultado de um sistema muito forte de baixa pressão que provocou inundações catastróficas na Grécia na semana passada e deslocou-se para o Mediterrâneo antes de se transformar num ciclone tropical conhecido como Medicane (do inglês, furacão do Mediterrâneo). O sistema climático é semelhante às tempestades tropicais e furacões no Atlântico ou aos tufões no Pacífico.

Anteriormente, a Cruz Vermelha da Líbia estimou que mais de 300 pessoas morreram em Derna, de acordo com uma publicação nas redes sociais.

Ahmed Mismari, porta-voz do Exército Nacional da Líbia (LNA), baseado no leste, disse que duas barragens ruíram sob a pressão das inundações.

“Como consequência, três pontes foram destruídas. A água corrente levou bairros inteiros, acabando por depositá-los no mar”, disse ele.

O chefe da autoridade de Emergência e Ambulâncias da Líbia, Osama Aly, disse à CNN que após o rompimento da barragem “toda a água foi direcionada para uma área perto de Derna, que é uma área costeira montanhosa”.

As casas nos vales foram arrastadas por fortes correntes lamacentas que transportavam veículos e detritos, acrescentou. As linhas telefônicas na cidade também caíram, complicando os esforços de resgate, disse Aly, com os trabalhadores impossibilitados de entrar em Derna devido à forte destruição.

Aly disse que as autoridades não previram a escala do desastre.

“As condições meteorológicas não foram bem estudadas, os níveis da água do mar e das chuvas [não foram estudados], as velocidades do vento, não houve evacuação de famílias que poderiam estar no caminho da tempestade e nos vales”, disse Aly.

“A Líbia não estava preparada para uma catástrofe como esta. Nunca testemunhou esse nível de catástrofe antes. Admitimos que houve deficiências, embora esta seja a primeira vez que enfrentamos esse nível de catástrofe”, disse Aly ao canal Al Hurra anteriormente.

Mismari, porta-voz do LNA, disse que as inundações afetaram várias cidades, incluindo Al-Bayda, Al-Marj, Tobruk, Takenis, Al-Bayada e Battah, bem como a costa oriental até Benghazi.

 

‘Inundações sem precedentes’

A Líbia, um país de seis milhões de habitantes, está dividida entre facções em conflito desde 2014, após a revolta de 2011 apoiada pela Otan contra Muammar Gadhafi.

O chefe do governo apoiado pelo parlamento oriental da Líbia, Osama Hamad, descreveu a situação como “catastrófica e sem precedentes”, de acordo com um relatório da organização de notícias estatal Agência de Notícias da Líbia (LANA).

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostraram carros submersos, prédios desabados e torrentes de água correndo pelas ruas.

Hospitais na cidade oriental de Bayda foram evacuados após graves inundações causadas por chuvas causadas por uma forte tempestade, conforme mostraram vídeos compartilhados pelo Centro Médico de Bayda no Facebook.

“As Nações Unidas na Líbia acompanham de perto a emergência causada pelas condições meteorológicas severas na região oriental do país”, disse a Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia numa publicação no X, anteriormente chamado de Twitter.

Vários países enviaram as suas condolências e ofereceram ajuda à Líbia enquanto as equipas de resgate lutam para encontrar sobreviventes sob os escombros e escombros.

Aviões turcos que entregam ajuda humanitária chegaram à Líbia, segundo a Autoridade de Gestão de Emergências da Turquia (AFAD) nesta terça-feira (12).

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse que o país enviaria 168 equipes de busca e resgate e ajuda humanitária para Benghazi, segundo a agência de notícias estatal Anadoulu Agency na terça-feira.

A Embaixada dos EUA na Líbia disse no X, que estava em “contato próximo com as Nações Unidas e com as autoridades na Líbia para determinar a rapidez com que podemos levar a assistência onde é mais necessária”.

O presidente dos Emirados Árabes Unidos, Zayed Al Nahyan, ordenou o envio de ajuda e equipes de busca e resgate, ao mesmo tempo que oferece suas condolências às pessoas afetadas pela catástrofe, informou a agência de notícias estatal.

 

Thursday, September 7, 2023

Ciclone do RS: nove moradores de Muçum estão desaparecidos, diz governo

 

Destroços de casas atingidas por enchente após passagem de ciclone extratropical, em Muçum (RS) — Foto: REUTERS/Diego Vara

 

Sobe para 46 o número de desaparecidos

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2023/09/08/temporal-no-rs-sobe-para-o-numero-de-desaparecidos.ghtml 

Nove moradores de Muçum, na Região Central do estado, estão desaparecidos após a passagem do ciclone extratropical e as intensas chuvas que atingiram o RS no início da semana. O levantamento foi publicado pela Defesa Civil estadual, na noite de quarta-feira (6).

O número de mortes registradas na cidade foi atualizado, após revisão. Dos 15 óbitos registrados inicialmente, o total foi atualizado para 14. A cidade é a que mais registra mortes após a passagem do ciclone.

Nesta quarta-feira (6), os corpos das vítimas de Muçum e das de Roca Sales foram levados ao Departamento Médico Legal de Porto Alegre, para a identificação.

 

Os nomes dos desaparecidos não foram divulgados pela Defesa Civil. Além da estatística estadual, prefeituras também têm contabilizado relatos de pessoas que não haviam sido encontradas por parentes. Em Estrela, no Vale do Taquari, a prefeitura divulgou nesta quarta uma lista com mais de 30 nomes de pessoas consideradas desaparecidas.

No total, são 37 mortes. Veja abaixo por cidades:

  • Cruzeiro do Sul - 3
  • Encantado - 1
  • Estrela - 2
  • Ibiraiaras - 2
  • Lajeado - 3
  • Mato Castelo - 1
  • Muçum - 14
  • Passo Fundo - 1
  • Roca Sales - 9
  • Santa Tereza - 1


 

Com pouco mais de 4,6 mil habitantes, Muçum sofreu de forma severa com os impactos da chuva. Vias foram tomadas pela água que inundou o município. De acordo com as autoridades, mais de 85% da cidade foi atingida pela enchente, incluindo residências, escolas, estabelecimentos comerciais, o hospital e o cemitério. 

 As mortes registradas no Rio Grande do Sul já superam a maior tragédia natural das últimas quatro décadas no estado, quando 16 pessoas morreram em junho. 

 

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